Recife, 03 (AE) - Após cumprir sete dos 30 anos a que foram condenados pelo assassinato de um menino de 12 anos, três homens acusados pelo crime podem ser soltos até o final desta semana graças a um exame de DNA, que mostrou que uma ossada utilizada como prova contra eles não pertencia à vítima.
Os condenados pelo crime - Ronaldo da Costa (tio do menino), acusado de ter sido o mandante, José Agrígio de Souza e Edílson José da Silva - estão presos no presídio Aníbal Bruno desde 1992. Um quarto acusado, Nivaldo Cavalcanti, está foragido desde aquela época.
Agora a advogada dos três presos, Maria Lúcia Brandão, entrará com um pedido de soltura deles e solicitará indenização do Estado pelo tempo que passaram na prisão.
"Meus clientes foram presos mesmo sendo inocentes. Como pode haver condenação se não existe vítima, o corpo de delito? Foi um absurdo jurídico, uma injustiça que terá que ser reparada", afirmou Brandão.
"Passamos por muita humilhação, sofremos muito, mas agora a justiça será feita", disse Costa, no presídio.
O menino Narciso Ferreira dos Santos Neto, conhecido como Narcisinho, foi sequestrado em 3 de julho de 1991, em Carpina (Zona da Mata do Estado), onde morava. Seus sequestradores exigiram um resgate de CR$ 3 milhões (moeda da época), pago pelo pai, Narciso Ferreira dos Santos Filho.
O garoto, porém, nunca voltou para casa, tornando-se um dos casos policiais mais enigmáticos de Pernambuco. A suposta ossada dele foi encontrada em um canavial, no ano seguinte.
Os pais disseram reconhecer a roupa e o calçado com que o filho estava no dia do sequestro. Investigações da polícia acabaram levando ao tio do garoto, Ronaldo Costa, que foi preso juntamente com Souza e Silva.
Eles confessaram o crime à polícia, mas durante o julgamento negaram tudo e disseram ter sido torturados (inclusive em pau-de-arara) para contar o que não teriam feito. A polícia nega a tortura.
Familiares de Costa, o principal acusado, sustentam a versão de que o sequestro foi forjado pelo pai do menino, Narciso Ferreira dos Santos Filho, hoje prefeito (PSB) de Tracunhaém (também na Zona da Mata), para ficar com o dinheiro do resgate - obtido com a prefeitura de Carpina.
De acordo com esses familiares, Narcisinho estaria hoje vivendo em outro lugar, possivelmente nos Estados Unidos.
"Quem tem boca diz o que quer", rebateu hoje o prefeito.
O exame de DNA foi realizado no Instituto de Patologia Clínica Hermes Pardini, em Belo Horizonte. A polícia de Pernambuco tem agora dois casos para resolver: o do próprio menino sequestrado e o da ossada, que agora está sem identificação.

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