Exame de cursos revela insatisfação de universitários
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quinta-feira, 18 de dezembro de 1997
Agência Estado Brasília 
O Exame Nacional de Cursos (ENC), o provão, cujo resultado foi divulgado ontem pelo ministro da Educação Paulo Renato de Souza, denunciou a insatisfação dos estudantes com a qualidade do ensino superior e a necessidade de mudar os currículos dos cursos. Mais da metade dos formandos em Administração e Direito, por exemplo, consideram que poderiam ser mais exigidos.
O provão também mostrou que a maioria dos alunos vem de famílias com renda superior a 10 salários mínimos e que lêem pouco. Quase um terço dos formandos em Engenharia e mais de 20% dos de Odontologia ou Medicina confessaram não ter lido nenhum livro no último ano de curso, além dos exigidos.
Em torno de 50% dos estudantes de todos os cursos avaliados acham que a didática pode melhorar. Menos de 80% consideram ideal o empenho do professor. Há uma demanda por reformas curriculares, afirmou Paulo Renato.
Assim como em 96, o provão detectou que os graduandos de escolas privadas são em geral menos exigentes e têm menor grau de expectativas quanto à didática, à assiduidade do professor ou metodologia de avaliação. A maior reclamação dos alunos do setor privado é mesmo em relação ao tamanho da turma.
Já no setor público, é maior a exigência dos graduandos, que, em sua maioria, quer mudanças nos programas de curso. Esses estudantes defendem a inclusão de algumas disciplinas e exclusão de outras.


