A perícia do Instituto de Criminalística do Paraná confirmou que a bala encontrada no corpo do agricultor Antônio Tavares Pereira e o revestimento blindado recolhido no local do conflito entre sem-terra e Polícia Militar, terça-feira passada, são partes de um mesmo projetil.
A parte que penetrou no corpo do agricultor foi o miolo da bala, de acordo com o exame do cadáver feito no Instituto Médico-Legal (IML). Não havia o que os peritos chamam de ‘‘camisa (o revestimento blindado)’’, na qual fica impressa a marca do cano, o que permite identificar a arma.
Essa parte foi achada no lugar do enfrentamento – km 108 da BR-277, em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba – pelo assentado Aparecido Alves de Souza, que socorreu Pereira. Souza disse que não podia afirmar se o fragmento recolhido do chão e a bala que atingiu Pereira eram partes de uma mesma munição.
Além dessa pista, o Instituto de Criminalística começou a examinar ontem quatro armas calibre 38 pertencentes à PM. Elas, que serão confrontadas com a bala já periciada, integravam um lote de 34 armas que teriam sido disparadas durante o confronto, das quais 30 foram descartadas por serem da marca Taurus. A perícia apurou que a munição que atingiu o agricultor é utilizada por armas da marca Rossi. O resultado do exame deve sair na sexta-feira.
Durante a noite, no Jornal da Record, foi veiculada a informação de que o titular da Delegacia de Homicídios, Fauze Salmen, já sabia o número da viatura ocupada pelo policial que disparou o tiro que atingiu Pereira. À Folha, Salmen desmentiu a notícia.
O presidente do Inquérito Policial Militar (IPM), coronel Elói Antônio dos Reis, declarou ter ‘‘convicção de que nem o autor do tiro (ainda não identificado) sabe que saiu da arma dele’’ o disparo que matou Pereira. ‘‘Tinham lá umas 12 viaturas, que foram atacadas com foices e paus. Todos (PMs) atiraram. Ninguém atirou direto nas pessoas’’, disse.
Reis pediu aos comandantes das unidades que estiveram no conflito os nomes dos soldados envolvidos na operação. ‘‘Enquanto os sem-terra conseguiram um mártir (Pereira), nós procuramos o nosso Judas (o autor do disparo fatal)’’, declarou.
Com base em depoimentos de sem-terra, o deputado Florisvaldo Fier (PT-PR) disse que o tiro teria partido da caminhonete de número 4516, do 12º batalhão, cuja lataria foi golpeada por foices. Fier acha que a PM não quer revelar o nome do autor do disparo.
A advogada Teresa Cofré, que acompanhou os últimos depoimentos de sem-terra ontem, acredita que os testemunhos sejam suficientes para acusar os policiais de abuso de autoridade. (Colaborou Dimitre do Valle)

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