Exame aponta que avó acusada de abandonar o neto tem transtornos mentais
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segunda-feira, 23 de setembro de 2019
Rafael Machado - Grupo Folha 
Um exame psiquiátrico realizado no último dia 13 de setembro no IML (Instituto Médico Legal) de Londrina confirmou que uma mulher de 39 anos acusada de não cuidar do próprio neto de um ano e sete meses em Porecatu apresenta um quadro de bipolaridade e depressão. Segundo o médico legista Fábio Brasil, responsável pela análise, "o transtorno mental comprometeu parcialmente a sua capacidade de entendimento e completamente a determinação quanto ao caráter de ilicitude da situação apresentada, tanto que necessitou ser internada".

A criança foi encontrada morta em maio na casa da avó. De acordo com a Polícia Civil, o corpo foi localizado no meio de muito lixo e até restos de comida. A mulher foi presa preventivamente e até pouco tempo permanecia no 3º Distrito Policial, zona oeste de Londrina, mas, conforme o advogado de defesa Sérgio Vicente Reis, recentemente foi transferida para Apucarana. Procurado pela FOLHA, ele não quis comentar o resultado do laudo, divulgado na sexta-feira passada (20).
Durante o teste no IML, a acusada mencionou que "sofre de depressão pós-parto há aproximadamente 18 anos e, desde então, é acompanhada por vários médicos e dois psicólogos para tratamento de períodos de tristeza alternados com impulsividade e aumento da energia, ou seja, variação de humor".
Conforme o documento, a mulher comentou "que, à época dos fatos da acusação, estava há duas semanas sem utilizar psicofármacos, que apresentava tristeza e desânimo profundos e, após longo tempo sem conseguir dormir, caiu em sono por várias horas, verificando que a criança da qual cuidava estava morta".
O Ministério Público denunciou ela e o bisavô do bebê por homicídio qualificado por uso de meio cruel. A vítima tinha sido deixada aos cuidados da avó porque a mãe havia viajado para outro estado. A acusação afirma que a mulher mantinha o neto sem as mínimas condições de higiene. Já o homem foi denunciado porque nada teria feito para alterar a situação, "embora pudesse agir para evitar a morte do bisneto", conforme aponta o MP. Ele não está preso.


