São Paulo, 29 (AE) - O advogado do ex-vereador Vicente Viscome (expulso do PPB), Ademar Gomes, enviou hoje um fax aos jornais alegando que o político poderia, a qualquer momento, ser internado por problemas médicos. A informação, porém, foi negada pelos policiais do 29º Distrito Policial, em Vila Diva, onde Viscome se encontra preso, e por seu irmão, Sigismundo Benedicto Viscome. Segundo Gomes, o ex-vereador "passou todo o dia de cama, sem se alimentar, com febre alta, fortes dores no peito e muito deprimido". Ele teria se recusado a ser examinado por um médico ou ser internado. O delegado titular do 29º DP, Calixto Calil Filho, negou as afirmações. "Viscome está quieto e de mau humor pela cassação, mas não reclamou de problemas de saúde".
Procurado pela reportagem, o advogado de defesa alegou que não tinha mantido contato com Viscome hoje, e que as informações teriam sido passadas pelo irmão do ex-vereador, Sigismundo, que é policial militar aposentado. À noite, porém, Sigismundo esteve na delegacia para visitar o irmão e negou ter tido contato com Gomes ou passado as informações. "Não sei de nada, não disse que ele estava doente", afirmou. Ele apenas afirmou que, na tarde de segunda-feira, após a cassação, Viscome estava indisposto, mas que o caso não necessitava de internação.
Segundo o delegado Calixto, ontem Viscome havia deixado o 29º DP alegre e confiante em direção à Câmara Municipal. "Mas ele voltou cabisbaixo, vestiu sua bermuda e deitou-se quieto". Enquanto esteve preso, Viscome chegou a falar até em reeleição no ano 2000, por acreditar que seria absolvido na Câmara. Agora, se confirmado o resultado, terá os direitos políticos cassados por oito anos, e só poderá pensar em eleições quando tiver 66 anos. Atualmente, ele tem 58, e passou o último aniversário preso, há um mês. Coincidentemente, Viscome foi cassado no Dia Mundial do Orgulho Gay, 28 de junho. A colocação da data no calendário do município foi um de seus projetos mais conhecidos. Isolamento - Um dia após ter o mandato cassado pelos colegas da Câmara Municipal, Viscome passou o dia recolhido e evitou ter contato com a imprensa. Ele não deve mais deixar sua cela para frequentar as sessões na Câmara. Mas, nesta sexta-feira, será levado ao Fórum para acompanhar os depoimentos das testemunhas de acusação no processo criminal que apura o esquema de propinas na Administração Regional da Penha, no qual é acusado de ser o principal beneficiário. Traição - Hoje, Viscome recebeu apenas a visita do irmão, Sigismundo, à noite. Tanto ele quanta a ex-assessora e namorada Tânia de Paula afirmaram que o ex-vereador foi "traído" pelos colegas da Casa. "Durante a semana, várias pessoas disseram a ele para não se preocupar", disse o irmão. "Esperava que os parceiros dele fossem mais amigos", afirmou Tânia. Ela afirmou que, por enquanto, não pretende visitar Viscome. "Mas acho que ele deveria sair da cadeia, porque já foi punido por muito tempo".
Amanhã é dia de visita aos detentos do distrito. Mas, segundo o irmão, Viscome pediu para que seus filhos não o vejam por enquanto, "até que ele coloque a cabeça no lugar". "Quando eles vêm, ele chora muito, e ao invés de ajudar, acaba atrapalhando o estado dele". Se não for condenado ou quiser recomeçar a vida após a prisão, Viscome terá de buscar outro meio de sustento. Sigismundo afirmou que o ex-vereador não possui mais as lojas de veículos que o ajudaram a construir um patrimônio declarado de R$ 16,5 milhões. "Agora, ele só tem os imóveis e a quadra de esportes na Penha".

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