Ex-usuária de drogas hoje é ativista em ONG's
Curitiba - Não é difícil encontrar entre os soropositivos assistidos pela Associação Paranaense Alegria de Viver (APAV) pessoas que superaram a culpa e o preconceito e passaram a levar uma vida normal. J.A.F., 31 anos, portadora do vírus da Aids há 14 anos, não só deu a volta por cima como, hoje, dedica seu tempo para ajudar outros soropositivos. Ela se tornou ativista junto a várias organizações não-governamentais (ONG's), que trabalham com portadores do HIV.
Ex-usuária de drogas, J.A.F descobriu que era soropositiva há sete anos. Ela conta que se desesperou, principalmente, pelo medo de ter passado o vírus para seus três filhos. ''Graças a Deus nenhum deles foi infectado'', disse. Seu marido, que também usava entorpecentes, não se contaminou.
debilitada por causa das drogas, J.A.F. procurou um médico que a colocou na parede dizendo que, apesar do vírus, ela poderia viver mais 20 anos se mudasse seus hábitos e largasse o vício. ''As pessoas se referem à Aids como atestado de morte. Para mim, foi um atestado de vida'', destacou J.A.F., que decidiu lutar contra o vírus. Além de recuperar a auto-estima, melhorou o relacionamento com seu marido e até financeiramente, já que ambos abandonaram as drogas.
O ex-metalúrgico J.M.C, 49 anos, foi o primeiro homem a aderir ao grupo do projeto Mães da Vida. Descobriu que tinha o HIV no final de 2001, depois que médicos diagnosticaram o vírus em sua filha de 3 anos. ''Foi um choque'', resumiu. J.M.C. acredita que foi contaminado pela parceira de um relacionamento que durou cerca de seis meses. Os dois se separaram e ele ficou com a filha.
J.M.C. aprendeu a trabalhar com papel machê. De aprendiz virou artista plástico. Hoje, faz e pinta seus próprios quadros, que são vendidos em feiras e supermercados. A renda garante seu sustento.





