Rio, 13 (AE) - O ex-técnico da empresa Telecomunicações do Rio de Janeiro (Telerj) Walter de Sousa Braga, um dos suspeitos de ter participado da escuta clandestina no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi ouvido hoje pela Polícia Federal (PF). Braga é apontado como o técnico que pôs o grampo nos aparelhos da presidência do banco. Ele estava desaparecido havia meses e foi localizado ontem (12) pela polícia. Até o início da noite, o depoimento não havia terminado, mas se esperava que ele revelasse como foi feito o grampo e quem o contratou.
O nome de Braga consta do dossiê elaborado pelo ex-policial federal Célio Arêas da Rocha. Braga é considerado, dentro da comunidade de informações, um especialista em escuta clandestina. Segundo fontes ligadas à investigação, ele sempre trabalhou em associação com o funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temílson de Resende, o "Telmo". O agente seria o cabeça do grupo que fez o grampo e exerceria a função de fazer contatos políticos e análises das informações. O ex-técnico da Telerj ficaria com a parte operacional.
A polícia estava à procura dele desde junho. Braga, no entanto, estava sumido, desde antes de a história do grampo no BNDES estourar na imprensa. Ele trabalhava na Telerj até 1998, quando foi flagrado retirando um extrato telefônico (informação sigilosa) para um "cliente" numa das estações da empresa, no Leme, na zona sul. Foi demitido por justa causa e desapareceu.
Nas investigações sobre ele, apurou-se que fazia trabalhos para a Polícia Civil - e há informações de que grampeava traficantes que depois eram extorquidos por policiais. Especula-se que ele tenha desaparecido por ter sido ameaçado após a demissão. O nome dele também sumiu dos arquivos da antiga Telerj. Para a polícia, Braga trabalhou com um parceiro porque o grampo no BNDES é o tipo de serviço feito em dupla - um no poste e outro na caixa do telefone, no prédio do banco.
A polícia chegou a investigar como co-autor do grampo o técnico de telefonia Francisco Carlos da Silva, conhecido como "Papinha", que trabalha na Central Tiradentes da Telemar. No depoimento à polícia, no dia 17, Papinha negou que tenha participado do grampo. "Ele nunca soube nada desse assunto, jamais entrou no prédio do BNDES", garantiu hoje o advogado dele, Benedito Ultra Abicair.
De acordo com fontes ligadas à investigação, no entanto, um dos dois técnicos teve acesso à sede do BNDES. A PF está convencida de que o grampo foi feito dentro do banco, com a cobertura de funcionários da área de segurança do BNDES. A qualidade das gravações indica que o grampo estava próximo ao aparelho e a polícia não acredita que uma escuta que durou, no mínimo, três meses - suspeita-se que tenha chegado a um ano - possa ter ficado tanto tempo na central da Telerj. Na rua, os cabos subterrâneos são blindados, o que torna o serviço praticamente impossível. No depoimento, outro ex-técnico da Telerj, Waldeci Alves de Oliveira, contou que foi convidado para fazer uma extensão no banco pelo detetive particular Adílson Alcântara de Matos - que teria funcionado como intermediário entre "Telmo" e os técnicos do grampo.
Oliveira garantiu ter recusado o serviço, mas disse que Matos deu a ele o nome de um vigilante a quem procurar dentro do banco para facilitar a entrada. Seria um certo Cláudio, que a PF não localizou.

mockup