São Paulo, 05 (AE) - Relatos de ex-funcionários do vereador Osvaldo Enéas (Prona) indicam o empenho do ex-secretário do Governo Edevaldo Alves na contratação de servidores sem concurso por meio do esquema Anhembi.
Albertina LAbatti, auxiliar judiciário, disse ter sido admitida em fevereiro ou março de 1997, recebendo R$ 1,3 mil. "Fui contratada por indicação do vereador Enéas."
Segundo Albertina, o vereador assinou ofício solicitando sua contratação na Anhembi. Ela levou o documento - do qual constavam seu nome e o de outras três pessoas - ao Palácio das Indústrias, para ser entregue ao então secretário do Governo.
"Fui atendida por uma secretária do senhor Edevaldo", acrescentou Albertina. "Ela me entregou algo que parecia ser uma senha, que eu deveria entregar no Departamento Pessoal da Anhembi." A ex-funcionária fantasma confessou: "Jamais desempenhei qualquer função na Anhembi."
"Comparecia uma vez por mês ao Departamento Pessoal para retirar a folha de frequência; em casa assinava todos os espaços da folha, como se tivesse comparecido todos os dias (à Anhembi)", contou. Albertina afirmou ter trabalhado para o vereador. "Às vezes ficava em seu gabinete, outras no escritório político, na Vila Formosa." Dos R$ 1,3 mil que recebia da Anhembi, era "obrigada a repassar R$ 800,00 ao vereador, caso contrário era desfeita minha contratação".
O motorista Sidney LAbatti disse que Enéas assinou ofício pedindo sua nomeação. "Vi o secretário Edevaldo lançando um visto no ofício e determinando o encaminhamento à Anhembi", afirmou Sidney, que ficou na empresa entre abril e setembro de 1998. "Deveria receber R$ 6 mil, mas era obrigado a repassar 80% do salário ao vereador."
Enéas afirmou que as denúncias "não são verdadeiras". Disse que os assessores de seu gabinete, "ocupantes de cargos em comissão, mensalmente fazem um repasse de verbas para o Prona". (F.M.)

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