Ex-senador Jutahy Magalhães morre aos 70 anos em Salvador
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2000
Por Biaggio Talento 
Salvador, 31 (AE) - O ex-senador Jutahy Magalhães, de 70 anos, morreu no inicio da manhã de hoje, no Hospital Português de Salvador, depois de 15 dias de internação, por complicações hepáticas.
O corpo de Magalhães foi velado no Cemitério Jardim da Saudade, onde ocorreu o sepultamento, às 17 horas de hoje.
Dezenas de políticos, principalmente da oposição, acompanharam a cerimônia e solidarizaram-se com o deputado federal e ex-ministro Jutahy Júnior (PSDB-BA), filho de Magalhães.
Carioca, trazido para a Bahia com um ano de idade pelo pai, Juracy Magalhães, nomeado interventor do Estado pela ditadura de Getúlio Vargas em 1930, Jutahy Magalhães foi, durante anos, o principal representante do "juracisismo", uma das oligarquias políticas mais poderosas do Estado. Como herdeiro político do pai (que, aos 94 anos, aposentado, vive em Salvador), iniciou a carreira elegendo-se vereador na Ilha de Itaparica em 1958, pela UDN.
Posteriormente, chegou à Assembléia Legislativa do Estado e também foi eleito vice-governador, em 1966. No inicio da década de 70, rompeu com o então governador Antonio Carlos Magalhães, atual presidente do Congresso pelo PFL, liderando uma dissidência da antiga Arena e, logo depois, na eleição de 1974, Jutahy Magalhães obteve nas urnas uma cadeira na Câmara Federal. Na eleição seguinte, em 1978, chegou ao Senado, de onde só saiu em 1994, quando abandonou a carreira parlamentar.
A grande guinada política de Jutahy Magalhães ocorreu em 1986, quando, junto ao clã do ex-governador Luís Vianna (outro cacique político da Bahia, aliado dos governos militares), entrou no PMDB para apoiar Waldir Pires, candidato do governo do Estado. Com a ajuda de Jutahy Magalhães e Vianna, Pires infligiu a maior derrota política que ACM teve na Bahia: ganhou a eleição com uma frente de 1,5 milhão de votos para o candidato carlista, Josaphat Marinho.
Quando ACM retomou as rédeas do Estado, em 1990, Jutahy Magalhães ainda teve forças políticas para influenciar na nomeação do filho Jutahy Júnior para o Ministério do Bem-Estar Social no governo do então presidente Itamar Franco.
Depois disso, foi perdendo gradativamente força, à medida em que o inimigo ACM ascendia cada vez mais no cenário nacional. Ele abandonou a vida parlamentar em 1994, com uma frustração por não ter conseguido levar a julgamento ACM num processo de injúria e difamação (que parou na Justiça), resultado de uma das várias trocas de insultos entre os dois.


