Brasília, 14 (AE) - O ex-senador João França (PPB-RR) entrou hoje com uma intepelação judicial no Supremo Tribunal Federal (STF), acusando o senador Osmar Dias (PSDB-PR) de calúnia. Na semana passada, Dias afirmou que, durante uma conversa no café do Senado, França teria tentado suborná-lo para votar contra o projeto que extingue os juízes classistas. "Ele vai ter de provar quando falei isso para ele", disse França. O ex-senador, que se diz "defensor eterno" da não-extinção da categoria, negou hoje, pela primeira vez, a acusação, em depoimento ao corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP).
França afirmou que "nunca" tentou subornar Dias para este votar contra o projeto. "Nunca andei no gabinete do senador (Dias), nem quando estava no Senado; isso nunca aconteceu", afirmou França.
Amanhã (15), Tuma vai ouvir Dias, que não confirmou até hoje qual teria sido o valor da eventual tentativa de suborno. "Caso necessário, poderemos fazer uma acareação", afirmou Tuma.
Dias, que apesar de ser ex-senador ainda mora em um apartamento funcional, disse que hoje é "apenas um pedreiro". "Por ser um trabalhador, um pedreiro, entendo que o classista é a única voz que os trabalhadores têm", justificou.
França conversou com Tuma acompanhado do advogado, Avenir Rosa. Segundo o corregedor, se for descoberto que houve algum tipo de tentativa de suborno, como França é um ex-deputado
o assunto não seria de responsabilidade do Senado. Mas, pela suposta vítima da tentativa de suborno ser um senador, o caso seguiria para o STF.

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