O paulista Ivo Lopes está oferecendo um produto atualmente tão essencial quanto pesticida e adubo para os fazendeiros do Noroeste do Paraná: proteção contra invasões de sem-terra. ‘‘Se me telefonarem de madrugada pedindo 20 ou 30 homens, eu arranjo’’ - diz Ivo Lopes, de 48 anos, que era segurança em feiras e exposições até o seu senso de marketing adivinhar um vasto campo fértil pronto para um novo negócio.
A Lopes Serviço de Segurança ainda nem foi oficialmente regularizada, mas já protege várias fazendas na região conflagrada de Querência do Norte, a cerca de 600 quilômetros de Curitiba, onde a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) registrou 11 invasões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desde 1995.
Lopes é o único comandante de uma tropa de seguranças que não está na clandestinidade. Atende na rua Sergipe, 370, sala 4, na Praça Brasil, em Paranavaí. Mandou fazer coletes pretos com a inscrição ‘‘Segurança’’ e o desenho de seu símbolo, uma águia. ‘‘Porque ela agarra’’, explica. Para ele, o novo negócio ‘‘não tem diferença das firmas de segurança que proliferam nas grandes cidades’’.
O ‘‘águia’’ Ivo Lopes, de Presidente Prudente, arregimenta seus seguranças no Mato Grosso e na Bahia. Basta o candidato apresentar uma certidão negativa de antecedentes criminais. Com ‘‘conhecimento de armas de grosso calibre’’ é melhor. Todos passam por um treinamento de dez dias em que aprendem a usar armas, a combater incêndios, a ter ‘‘malícia e reflexo’’, e a dar golpes de vários tipos de lutas.(M.R)

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