Ex-secretário quer depor na CPI do Narcotráfico
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terça-feira, 21 de março de 2000
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 22 (AE) - O ex-secretário de Segurança Pública do Paraná Cândido Martins de Oliveira quer depor na CPI do Narcotráfico em Brasília. "Agora não sou convocado, eu quero depor", afirmou. "Quero dizer com todas as letras as injustiças que cometeram através desse tribunal de exceção que foi a CPI, quero dizer que confio na honradez do delegado Noronha, quero dizer que jamais ninguém trouxe ao meu conhecimento, por mais leve que fosse, uma suspeita de conivência do delegado com qualquer tipo de crime." Oliveira pediu a exoneração no início da semana, depois de ter sido colocado sob suspeição por deputados da CPI. Segundo eles, o secretário teria conhecimento de que o ex-delegado-geral João Ricardo Kepes de Noronha estaria envolvido com o narcotráfico. Noronha teve a prisão temporária decretada e encontra-se foragido. O ex-secretário já foi ouvido em Curitiba, mas houve acusações de que as perguntas foram amenas.
Oliveira disse que não defendeu Noronha antes porque "tinha o peso de secretário de Segurança e tudo o que dissesse poderia ser mal entendido". "Eu devia lealdade política a um governo e tentei preservar de todas as formas essa lealdade", afirmou. "Agora, como cidadão comum, que não tem foro privilegiado, afirmo que acredito na inocência dele." Ele disse que pediu a exoneração por ter "dignidade". "Eu fui profunda e injustamente acusado de coisas que não devo em nada."
Oliveira classificou de "ridícula" a afirmação de que esteve em um churrasco na casa de Noronha no dia 10. "Quero fazer um desafio para essas pessoas que me acusaram que apresentem provas até a metade da semana que vem, sob pena de eu processá-las", afirmou.
Segundo ele, por trás das denúncias está o senador Roberto Requião (PMDB), que teria interesses em desestabilizar politicamente o governo. "Ele tem ódio pessoal de mim, não só porque tem ódio no coração
mas porque comandei o processo político da reeleição de Jaime Lerner", disse. O senador afirmou não ter nada pessoal contra o ex-secretário. "Quando ele teve um problema sério, procurou a mim e não lhe faltou apoio", afirmou Requião.
Contrariando o interesse do governo que acaba de deixar, Oliveira afirmou que é favorável à criação de uma CPI do Narcotráfico na Assembléia Legislativa. "Não é possível que homens de fora do Paraná, deputados que não conhecem a história do Paraná, venham aqui, tomem conta do Estado, como numa intervenção, e determinem prisões, sem direito de defesa, com um Ministério Público frouxo, um Poder Judiciário sem coragem", atacou. "Eu vou passar, como cidadão comum, a exigir uma CPI, porque os deputados do Paraná me conhecem", disse. "Chega de ficar a dúvida no espírito do povo."
O Poder Judiciário não respondeu à acusação, enquanto a assessoria do Ministério Público disse que os promotores vêm trabalhando nas investigações sobre narcotráfico e crime organizado desde o fim do ano passado, com o trabalho intensificando-se depois da passagem da CPI pelo Paraná.


