Porto Alegre, 13 (AE) - O professor Elisaldo Carlini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirmou hoje que a falta de controles adequados de importação levará o Brasil a comprar US$ 1 bilhão em medicamentos no exterior em 1999. O volume é 20 vezes superior aos US$ 50 milhões registrados há dois anos e inclui, segundo ele, uma grande quantidade de "lixo terapêutico", remédios de origem duvidosa e licenciados, inclusive, na Ilha de Chipre.
Na opinião de Carlini, que realizou conferência sobre regulamentação da produção e comercialização de medicamentos na 51ª Reunião Anual da SBPC, as fronteiras do Brasil para este tipo de produto estão muito abertas, sendo necessário o estabelecimento de critérios mais rígidos para a importação. Ele fez críticas também à "falta de ética" nas relações entre os países do bloco, que têm interesses divergentes em relação ao assunto.
Carlini, que foi secretário nacional de Vigilância Sanitária durante a gestão de Adib Jatene e depois Carlos César Albuquerque no Ministério da Saúde, revelou ter sofrido restrições do governo argentino à época devido sua intenção de implementar controles na importação de medicamentos dos países vizinhos. Disse que muitas vezes foi também surpreendido por decisões por autoridades do governo brasileiro em relação ao tema, tomadas à revelia do próprio ministério.

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