Curitiba, 14 (AE) - O ex-secretário de Agricultura do Paraná e ex-presidente da Sociedade Rural do Paraná, José Carlos Tibúrcio, foi preso ontem (13) , em Londrina, acusado por crime ambienta. Tibúrcio passou a noite no 2º Distrito Policial e só foi solto hoje, por volta das 15 horas, quando a juíza de plantão Oneide Negrão de Freitas relaxou a prisão.
A prisão, em flagrante, foi feita pela promotora de Defesa do Meio Ambiente de Londrina, Maria Lúcia Reichenbach, durante fiscalização na Carambeí, empresa têxtil do sogro de Tibúrcio, Carlos Pereira Paschoal. Ela estava acompanhada por policiais militares e técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). A empresa já havia sido autuada em 29 de junho, quando apareceram vários peixes mortos no Ribeirão Cambezinho, na periferia de Londrina.
De acordo com o engenheiro-químico e técnico do IAP Nelson Santos Pereira, a Carambeí estava desativada e voltou a funcionar sem estação de tratamento. Para o trabalho de degomagem e alvejamento do rami, a empresa usa, entre outros produtos, soda cáustica e alvejantes, que eram jogados diretamente no rio. Em análises feitas hoje o IAP constatou poluição em índices superiores ao tolerado pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).
Segundo Pereira, o nível de PH aceito pelo Conama fica entre 5 e 9. Nas águas do ribeirão, o PH estava em 12. Ele acredita que isso tenha causado a morte dos peixes. Além disso, o exame de demanda química de oxigênio (DQO) apontou 2.340 miligramas de oxigênio por litro de água, quando o máximo permitido é de 300 miligramas.
"Em crime que está acontecendo cabe prisão em flagrante", justificou a promotora. De acordo com ela, Tibúrcio foi preso porque se apresentou como administrador da empresa. O advogado da Carambeí, Carlos Henrique Schiefer, disse que o ex-secretário foi libertado porque conseguiu provar que não tem vínculo com a empresa, apesar de ter trabalhado nela por mais de 20 anos.
Segundo Schiefer, a empresa voltou a funcionar "de maneira tímida" no início do ano, depois de três anos de paralisação e, também aos poucos, está recolocando em funcionamento o sistema de tratamento de água. "A Carambeí foi pega como bode expiatório", afirmou.

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