Ex-secretária do Marka confirma ter agendado reunião com Lopes
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terça-feira, 18 de maio de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 19 (AE) - A secretária Sandra Cupelo confirmou hoje
em depoimento à Polícia Federal (PF), ter agendado pelo menos uma reunião entre a diretoria do Banco Marka, para o qual trabalhava, e o economista Francisco Lopes, que foi diretor de Política Monetária e depois presidente do Banco Central (BC).
A afirmação, que reforça suspeitas sobre suposta proximidade entre Chico Lopes e a instituição financeira privada
foi feita em depoimento prestado por Sandra na Superintendência da PF no Rio, a pedido da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro no Senado. Na saída, a secretária, que não soube precisar a data da reunião, não deu declarações a jornalistas.
Policiais federais, procuradores da República, auditores da Receita Federal e o assessor da CPI, Hipólito Gadelha, acompanharam hoje outro depoimento, a pedido da comissão - o do ex-contador do Marka Eliel Martins. Segundo Gadelha, a CPI pretendia que Martins esclarecesse porque e a mando de quem o contador anotara, na contabilidade do Marka referente a 1998, lucros decrescentes no fim de 1998.
"Verificamos no Marka uma série de operações de redução do lucro no fim do ano, redução essa que não atende à legislação tributária", disse ele. O depoimento, que fora marcado para às 14 horas, começou com cerca duas horas de atraso, e, até o início da noite, não terminara.
Gadelha, que foi embora antes do fim do interrogatório, recusou-se dar informações sobre o depoimento, mas observou que Martins, apesar de desempregado, veio acompanhado de um advogado pago pelo Marka, José Carlos Fragoso, que também defende o dono do banco, Salvatore Alberto Cacciola.
"O advogado fez questão de dizer que isso (o fato de ser pago pelo Marka) não era importante para ele", afirmou Gadelha. "Eu sei o que isto significa; agora, cada um tira as suas conclusões."
O assessor da CPI contestou também afirmações de Cacciola, que dissera que todos os registros contábeis do banco estão com a Justiça. "Fiz uma perícia em todo o material", disse ele. "Do Banco Marka, só há dois livros-razão, dos quatro
já que eles fazem razões trimestrais; só há dois livros diários e não há emblocamentos contábeis."
A CPI também suspeita de irrregularidades na empresa Teletrust de Recebíveis, em nome do ex-cunhado de Cacciola, Roberto Cruz Moisés, e do advogado do Marka, Luiz Carlos Barretti. A empresa tem capital social de R$ 10 mil, mas emitiu debêntures (títulos) no valor de R$ 368 milhões. Emissões deste gênero, de acordo com a Lei 6.404 (das sociedades anônimas), deveriam ficar limitadas ao capital social da firma, embora haja exceções previstas na legislação. "Para uma empresa com as características da Teletrust, é, no mínimo, estranha uma emissão desse valor", afirmou Gadelha.


