Ex-regional muda depoimento um dia após acusar vereadora
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terça-feira, 16 de março de 1999
Por Marcus Lopes e Uilson Paiva 
São Paulo, 17 (AE) - Um dia depois de denunciar um esquema de corrupção envolvendo a vereadora Maria Helena (PL), o ex-administrador regional da Freguesia do à, Milton de Jesus, voltou atrás. Hoje à tarde, ao lado da vereadora, ele afirmou que foi forçado pelos delegados e promotores de Justiça e, por isso, teria inventado a história.
Conforme o ex-regional declarou, na terça-feira, em depoimento ao promotor Roberto Porto, do Grupo de Repressão ao Crime Organizado, e ao delegado Naief Saad Neto, Maria Helena teria indicado-o para ser um administrador regional "decorativo". Quem de fato mandaria na AR-Freguesia do à seria o irmão e assessor da vereadora, o policial civil Odair Pereira Neme.
Com plenos poderes, até dispondo de uma sala na regional
Odair comandaria um esquema de extorsão, por meio de fiscais, e repassaria o dinheiro à vereadora. Ele não informou, porém, como o dinheiro chegava a Maria Helena. Outro nome indicado pelo ex-regional é o de Agnaldo Quaia, um funcionário aposentado, que comandaria o setor de faixas e publicidades. Ele recolheria uma "caixinha" dos interessados em anunciar nas ruas de abrangência da regional e também entregaria o dinheiro a vereadora.
Ainda de acordo com o primeiro depoimento de Milton de Jesus, Maria Helena dominaria os setores de Supervisão de Uso e Ocupação do Solo, então dirigido pelo atual regional de Santana, Antonio Attencia Neto. Milton de Jesus disse à polícia que não podia afastar os fiscais acusados de corrupção. A orientação passada pela vereadora, quando ele assumiu o cargo, em fevereiro de 1998, era para apenas atender o público. Coação - Hoje, repentinamente, Milton de Jesus mudou de opinião. "Fui coagido a dizer o que disse", afirmou. "A vereadora não deve". Enquanto ele denunciava que teria sido pressionado pela polícia e Ministério Público, Maria Helena, que estava a seu lado, dizia: "Viram, viram!"
Antes, no meio da tarde, a vereadora compareceu à sede da Divisão de Registros Diversos e negou qualquer envolvimento com os esquemas de propina. "Não quero ver o meu nome na lama"
disse. Em depoimento, ela afirmou que, quando recebeu a regional da Freguesia do à, tinha três nomes para indicar para o cargo de administrador. O nome de Jesus foi escolhido por ser uma pessoa "que tinha boas referências no órgão" - apesar de ter o primário incompleto e ser chefe do setor de limpeza.
O depoimento de Jesus abre uma nova frente de investigações no escândalo envolvendo as Administrações Regionais. Agora as investigações recairão sobre a AR-Freguesia do à, que era controlada politicamente por Maria Helena e hoje é território do vereador Viviani Ferraz (PL). O delegado Saad informou que o ex-regional prestou depoimento por vontade própria e acompanhado de seu advogado.


