São Paulo, 25 (AE) - O ex-administrador regional da Sé, João Bento dos Santos Filho, disse, em depoimento à polícia, que não mandou retirar as barracas de ambulantes do Viaduto Santa Ifigênia, porque recebeu ordens do ex-secretário das Administrações Regionais (SAR), Alfredo Mário Savelli, do prefeito Celso Pitta (PPB) e do presidente do Programa de Revalorização do Centro (ProCentro), Sanderley Fiúsa. A afirmação foi feita durante o segundo depoimento de João Bento, ontem à noite, na Divisão de Registros Diversos (Dird).
Segundo Santos Filho, as barracas não foram retiradas durante sua passagem na Administração Regional da Sé porque os ambulantes seriam retirados quando começassem as obras de recuperação do viaduto, prevista para este ano. No entanto, os camelôs do viaduto que não possuiam barracas, conhecidos como "siris" ou "pára-quedas", teriam de ser retirados. Ele teria concordado, porém, que a medida teria sido injusta. No depoimento, ele afirmou à polícia que, se dependesse dele, todos os ambulantes deveriam ser retirados.
Segundo apurou a reportagem, o ex-regional nega ter conhecimento da influência do deputado Hanna Garib na Administração Regional da Sé, na época em que era vereador. Mas ele se contradiz
quando levanta a possibilidade de ter sido indicado para o cargo de administrador por influência de Garib. Irregularidades - No depoimento, Bento reconheceu algumas irregularidades administrativas na regional. Uma delas teria sido quando não multou a empresa Vega, responsável pela limpeza pública na região, por não ter usado sacos de lixo padronizados estabelecidos no contrato. Santos Filho nega ter recebido qualquer tipo de propina durante sua gestão como administrador.
Em relação ao depoimento do ex-supervisor de Serviços Públicos da AR-Sé, Adão Luiz Castanheiro Martins, considera que as denúncias podem ter sido feitas por vingança. No ano passado, Santos Filho o exonerou pois, segundo ele, Castanheiro, não estava cumprindo bem suas funções. Segundo Castanheiro, Santos Filho receberia propinas da Vega.
O ex-administrador cumpre prisão temporária como suposto envolvido em esquemas de cobrança de propinas na AR-Sé. Hoje, também foi ouvida a ex-secretária de Santos na regional, Paulina Vieira da Silva. O teor do depoimento, porém, não foi revelado.

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