Ex-regional de Pinheiros é indiciado por concussão e formação de quadrilha
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 19 (AE) - A polícia ouviu hoje três funcionários da Administração Regional de Pinheiros considerados importantes nas investigações sobre esquemas de cobrança de propinas no órgão. Um deles, o ex-administrador regional Mário Bertolucci Neto, foi indiciado por concussão (extorsão) e formação de quadrilha. O depoimento dele, porém, não foi revelado pelos delegados que conduzem o inquérito. "A divulgação de informações pode comprometer o andamento dos trabalhos", justificou o delegado Romeu Tuma Júnior.
O ex-administrador regional, a ex-chefe da unidade de fiscalização Maria Thereza Ferrari de Castro e o ex-supervisor de Uso e Ocupação do Solo da regional Fábio Nobre se apresentaram espontaneamente na sede do Departamento de Investigações e Registros Diversos (Dird). Eles estavam com a prisão temporária decretada desde o depoimento do ex-fiscal Marco Antonio Zeppini, há duas semanas. No depoimento, Zeppini revelou com detalhes o esquema de cobrança de propinas na regional de Pinheiros.
Bertolucci foi titular da Supervisão de Uso e Ocupação do Solo da Regional de Pinheiros, em 1997. No mesmo ano, ocupou o cargo de administrador regional do órgão. Em fevereiro, o Ministério Público Estadual (MPE) solicitou a quebra do sigilo bancário do ex-regional, acusado de pertencer ao alto escalão do esquema de extorsão de dinheiro contra comerciantes, ambulantes e empresários da região.
As contas bancárias de Bertolucci revelaram uma movimentação bancária que chegou a R$ 39 mil mensais. Após a prisão de Zeppini, em dezembro do ano passado, os promotores constataram que o saldo médio do ex-regional passou a ser de R$ 5 mil. Bertolucci foi o primeiro a se apresentar à polícia. Ele chegou ao Dird ontem à noite e seu depoimento durou toda a madrugada de hoje. De manhã, ele foi liberado pela polícia. "Como ele prestou todas as informações e não corremos o perigo de ele influenciar mais ninguém que será ouvido no inquérito, não havia necessidade de que permanecesse preso", justificou Tuma Júnior.
Maria Thereza e Simione se apresentaram hoje de manhã e até o começo da noite o depoimento deles ainda não havia sido encerrado. Tuma Júnior não informou se eles também não precisariam cumprir os cinco dias da prisão temporária. Maria Thereza era chefe dos fiscais na época que Zeppini trabalhava no órgão e a polícia acredita que ela era beneficiária do esquema. A suspeita surgiu a partir das anotações feitas na agenda do ex-fiscal, que já foi condenado a cinco anos de prisão por concussão. Fábio Nobre, por sua vez, substituiu Bertolucci na Supervisão de Uso e Ocupação do Solo, em 1997.
Atualmente, Bertolucci trabalha como engenheiro na Administração Regional do Butantã. Maria Thereza é agente vistora na Regional do Campo Limpo e Nobre atua na Comissão Permanente de Legislação Urbana, na Secretaria das Administrações Regionais (SAR).


