Ex-reféns de avião sequestrado são recebidos como heróis no Afeganistão
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domingo, 13 de fevereiro de 2000
Por Amir Shah, da AP 
Kandahar, Afeganistão, 14 (AE-AP) - Oito dias depois de o avião em que se encontravam ter sido sequestrado e levado para a Grã-Bretanha, 73 pessoas voltaram hoje (14) para casa no Afeganistão e foram recebidas como heróis.
Uma chuva de pétalas de rosas caiu sobre os ex-reféns quando eles saíam do avião especialmente alugado para eles na sulista Kandahar, o quartel-general do exército do governista Teleban afegão. O ministro do Exterior do Taleban, Wakil Ahmed Muttawakil, saudou cada um dos homens com um abraço, chocolates e um novo manto tradicional afegão.
Para alguns dos homens, Muttawakil deu um turbante. Mantendo a rígida interpretação do Islã do Taleban, não houve contato com as mulheres desembarcando do avião.
Juma Khan desceu do aparelho e beijou o chão.
"Este é o meu lar. Eu o amo muito", disse.
Outros 74 passageiros do avião afegão sequestrado permaneceram na Grã-Bretanha, esperando uma resposta a seus pedidos de asilo.
Referindo-se à controvérsia provocada pelos que pediram asilo, Abdul Farid, enxugando as lágrimas enquanto desembarcava, disse: "Por que eu não viria para casa? Este é o meu país, aqui é onde está minha família, meu coração. Afeganistão é o meu amor".
Também na pista do aeroporto de Kandahar, estava Tine Staermose, uma representante da Organização Internacional para Migração, baseada em Genebra e que alugou o vôo da Grã-Bretanha. Ela estava lá para ajudar os ex-reféns a retornar a suas vilas de origem.
"Todos eles estão voltando voluntariamente para o Afeganistão. Agora temos de levá-los para casa", disse ela.
Para os passageiros retornando, o desembarque em Kandahar pôs fim a uma odisséia que teve início no domingo da semana passada quando o avião da Ariana Airlines foi sequestrado no caminho da capital afegã, Cabul, para a cidade nortista de Mazar-e-Sharif.
Depois de ter sido capturado, o Boeing 727 foi desviado para fora do espaço aéreo do Afeganistão, fazendo uma série de paradas numa viagem que atravessou a ásia Central e a Rússia e terminou em 7 de fevereiro em Londres.
A polícia britânica negociou o fim pacífico do drama do sequestro na quinta-feira e todos a bordo receberam permissão de descer.
Dezenove homens estão em custódia na Grã-Bretanha em conexão com o sequestro, apesar de apenas 13 terem aparecido hoje numa corte britânica. Apesar de garantias por parte de Muttawakil de que serão bem recebidos, os 74 que buscam asilo têm se recusado a retornar.
Muttawakil pediu à Grã-Bretanha que rejeite o pedido dos refugiados, afirmando que conceder asilo a eles seria um encorajamento a outros sequestros.
Ele considerou que os que estão pedindo asilo são refugiados econômicos, não políticos. Ele também prometeu que eles não serão punidos se voltarem para o Afeganistão, um país devastado por 20 anos de guerra.
O Taleban quer que os sequestradores sejam julgados e punidos, mas autoridades não exigiram que eles voltem ao Afeganistão. O ministro da Aviação do Teleban, Akhtar Mohammed, disse que eles seriam sentenciados a sete anos de prisão se condenados pelo sequestro no país.
O Taleban quer que a Grã-Bretanha devolva o Boeing sequestrado
um dos apenas quatro jatos de passageiros da estatal Ariana Airlines. Manzoor disse que o Taleban enviou US$ 40 mil para a Grã-Bretanha a fim de financiar reparos no aparelho sequestrado. Ele não especificou os danos. Ele também afirmou que autoridades britânicas estão exigindo outros US$ 10 mil por taxas do aeroporto.
Não está claro se a Grã-Bretanha irá devolver o avião para o Afeganistão, que está sob sanções impostas pela ONU em novembro último.
Entre as sanções está o banimento de vôos internacionais da linha aérea afegã. Elas foram impostas pela recusa do Taleban de entregar o suspeito de terrorismo Osama bin Laden aos Estados Unidos ou a um terceiro país para ser julgado.


