Brasília, 29 (AE) - O ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo Délvio Buffulin no período de 1996 a 1998, quando já tinha ocorrido o desvio dos R$ 263,9 milhões destinados à obra do fórum trabalhista do Estado, acusou o governo federal de estimular irregularidades nas obras públicas porque não fiscaliza as verbas que repassa. As declarações de Buffulin constam do depoimento que ele concedeu ao Ministério Público (MP) e que hoje foi encaminhado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário. Ele alegou que "juízes do trabalho não têm aptidão para participar de empreendimentos desse vulto", referindo-se à obra do TRT. Disse ainda que o "desequilíbrio econômico" do empreendimento se deve em parte aos atrasos dos desembolsos efetuados pelo govenro federal.
Segundo ele, o desembolso de dinheiro em favor da Incal Incorporações, engarregada da obra, atingiram 98,70%. O que existe até agora, porém, segundo o vice-presidente da comissão, senador Carlos Wilson (PSDB-PE), é um esqueleto que exigirá milhões de reais para ser concluído.
No depoimento que o ex-presidente do TRT de São Paulo Nicolau dos Santos Neto concedeu ao MP, ele afirma que não sabe porque, no contrato firmado entre o tribunal e a firma construtora, não foram incluídas cláusulas condicionando a liberação de verbas da União ao desenvolvimento da obra. Santos Neto também declara que desconhece porque o Tribunal de Contas da União (TCU) passou a verificar o cronograma físico da obra na intenção de condicioná-lo à liberação de novas verbas.
Santos Neto atribui o descompasso entre o andamento da obra e a liberação de recursos à existência de diversos contratos firmados entre as empresas que participavam da obra e os fornecedores de produtos. Citou como exemplo elevadores e vidros pagos, que não foram entregues na totalidade.

mockup