Ex-presidente do Marka viajou para o exterior
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domingo, 11 de abril de 1999
Por Suzana Santos e Gustavo Alves 
Rio, 12 (AE) - O ex-presidente do Banco Marka, Salvatore Cacciola, viajou para o Exterior na quinta-feira, conforme informou em nota divulgada no fim da tarde de hoje. Cacciola afirmou que vai voltar na próxima semana, para esclarecer as acusações de que utilizaria informações sigilosas passadas por um alto funcionário do Banco Central (BC).
Na nota, o ex-presidente do Marka negou que tivesse um informante no BC, ou fitas gravadas e documentos que incriminassem qualquer funcionário ou ex-funcionário do órgão. "São totalmente fantasiosas, infundadas e irresponsáveis as especulações - sempre atribuídas a interlocutores não identificados", afirma o documento.
O presidente da Associação dos Lesados do Banco Marka, Luiz Eduardo Fernandes, tinha informado que Cacciola havia viajado no fim da tarde de quinta-feira para a Suíça. De acordo com as informações de Fernandes, ele teria ido para um "spa de beleza" no país. Os agentes da PF não apuraram o fato e procuraram Cacciola em sua casa e na sede do banco, no centro, para entregar-lhe um convite para prestar esclarecimentos sobre o caso.
Na sede do banco, a secretária de Cacciola chegou a informar ao delegado Deuler Rocha, chefe da equipe que foi levar o convite, que ele estaria interessado a procurar a PF. Mas não disse que o patrão teria ido viajar, porque a equipe continou a procurar o banqueiro.
Somente no fim da tarde a polícia foi avisada, pela imprensa, que o próprio ex-presidente do Marka confirmou sua viagem. Caso compareça à PF no Rio, Cacciola vai responder a um questionário enviado por carta precatória pela PF de Brasília (DF), onde foi instaurado o inquérito. O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro também investiga o caso, desde a semana passada.
O Banco Fonte-Cindam, acusado de ter sido um dos quatro bancos beneficiados com as informações sigilosas que teriam sido passadas por um funcionário do BC, negou o fato em nota. A direção do banco afirmou que estuda "medidas cabíveis" sobre as denúncias - que incluem o pedido de interpelação judicial de Cacciola.
Nikko - O presidente da Nikko no Brasil, Nobu Kikugawa, confirmou hoje que foi ao Banco Central (BC), tentar salvar os prejuízos de um dos seus fundos mais agressivos do Marka-Nikko, o Derivativo Plus. Kikugawa afirmou que, se o fundo tivesse conseguido comprar dólar do BC a R$ 1,32, como foi feito com o Fonte Cindam, a perda seria de 30%.
"Infelizmente, por razões técnicas da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), não conseguimos", afirmou Kikugawa. Ao ser lembrado de que outros fundos conseguiram essa vantagem, ele declarou apenas:"Essa é a questão". Apesar de não ter recebido ajuda, o representante da Nikko no Brasil informou que a empresa não pensa em tomar medida alguma contra o BC. "Cabe aos cotistas fazerem esta análise", afirmou.
Kikugawa esclareceu que não foram todos os fundos do Marka-Nikko que perderam com a desvalorização cambial. "Outro fundo nosso, o Fundo Cambial, conseguiu 50% de valorização", explicou Kikugawa. "Esse mercado é um mercado equilibrado, sempre há aquele que aposta contra e outro a favor", explicou.


