Brasília, 27 (AE) - O ex-presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto (Indesp), Manoel Tubino, afirmou hoje, na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, que o ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, "foi avalista" das irregularidades na pasta. O presidente da CAS, senador Osmar Dias (PSDB-PR), disse que vai convocar o ministro para depor na comissão se o plenário do Senado não aprovar relatório neste sentido. Greca informou hoje, por intermédio de senadores do PFL, que está à disposição do Senado para esclarecer a questão.
"O Greca foi avalista disso tudo", disse Tubino, "O ministro nunca quis apurar nada". O ex-presidente do instituto disse que constatou várias irregularidades antes de sair do cargo. Tubino afirmou que o diretor de Administração do Indesp, Luiz Antônio Buffara, que eventualmente assumia o cargo de diretor substituto, assinou algumas autorizações para funcionamento de bingos mesmo quando ele, Tubino, estava em Brasília no cargo. "Isso é uma irregularidade", afirmou. "Havia uma obssessão do Buffara em tornar os bingos uma coisa privativa dele", disse Tubino.
Ministro - Segundo ele, todas as decisões irregulares de Buffara eram do conhecimento do ministro Rafael Greca. "O Buffara dizia sempre que estava atendendo a ordens do ministro", disse. "Era um súdito do Greca". Tubino disse que foi forçado a assinar a Portaria 23, que autorizou as máquinas de videobingo e os caça-níqueis no País, revogada por um decreto que proibiu o jogo eletrônico.
O ex-presidente do instituto disse que não sabia que a Portaria 23 teria sido redigida por pessoas ligadas aos bingos e à máfia italiana, conforme denúncia do Ministério Público, e mesmo assim foi contra assinar o documento por entender que repetia portaria que dava "exclusividade" a três institutos de universidades paulistas para habilitar máquinas de bingo. "A portaria foi assinada por pressão do ministro", disse Tubino. Defesa - Alguns parlamentares do PFL fizeram a defesa de Greca durante o depoimento de Tubino. O senador Edson Lobão (PFL-MA) leu "cronograma" feito pelo ministro do Esporte. Lobão disse que Greca estava passando por um "linchamento" na CAS e que os documentos mostram, segundo ele, que o ministro pediu apuração de tudo. Tubino disse que a investigação da Polícia Federal só começou depois que o ministro da Casa Civil, Pedro Parente, enviou ofício ao Ministério da Justiça.
O que mais irritou os senadores pefelistas foi quando Tubino afirmou que Greca lhe dissera que o PFL tinha pedido sua demissão do cargo de presidente do Indesp. O senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO) protestou pelo uso do nome do partido e sugeriu que a CAS estaria colhendo depoimentos contra o ministro porque havia "pretensões pessoais" de senadores da comissão, referência a Osmar Dias e Roberto Requião (PMDB-PR).
Visivelmente irritado, Osmar Dias disse que o tema realmente envolve pretensões políticas, mas do próprio Rafael Greca, que quer se eleger governador do Estado. "Ninguém aqui está pensando que o Greca está fazendo caixa de campanha", disse Osmar Dias. "Quem está dizendo isso é a imprensa nacional".
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse que já venceu o prazo para que o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), coloque em votação o requerimento para o depoimento de Greca. Osmar Dias afirmou que a CAS vai convocar Greca, se o plenário não votar o requerimento nos próximos dias. Greca disse
por intermédio de sua assessoria, que está disposto a depor no Senado, mas aguarda "novos elementos" sobre a investigação. O ministro informou que contratou advogados para processar as pessoas que fizeram acusações infundadas, inclusive Tubino.

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