Brasília - Ao deixar o cargo de presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o agrônomo Marcelo Resende se defendeu ontem das acusações de ter ''aparelhado'' o órgão e afirmou que o presidente do PT, José Genoino, e o ministro Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário) participaram do processo de todas as nomeações.
Na crise que culminou com a troca de Resende pelo economista Rolf Hackbart, 45 anos, as críticas à nomeação de integrantes dos movimentos sociais de sem-terra, principalmente do MST, e de militantes partidários para postos-chave na estrutura do instituto foram, ao lado do grande número de invasões neste ano, as que mais tiveram peso.
Resende disse que a escolha dos 29 superintendentes regionais do Incra, foco do descontentamento dos produtores rurais, foi pautada por critérios técnicos, além de ter contado com o aval de Rossetto e Genoino. A reportagem entrou em contato ontem com a assessoria de Rossetto para que ele comentasse a declaração de Resende, mas até as 19h30 de ontem o ministro não havia se pronunciado. O presidente do PT afirmou que não ia comentar as declarações.
Após ter sido aplaudido por funcionário do instituto em sua despedida, Resende disse que os únicos que podem ser prejudicados com a mudança são os trabalhadores sem terra. ''Quem pode perder (com a mudança) é o povo acampado. Com esses eu tenho um compromisso'', afirmou ele, que, em carta enviada aos movimentos sociais, reclamou do pouco tempo no cargo e se disse triste.
Com Resende, deixam o Incra pelo menos oito pessoas, que ocupam cargos de confiança em sua equipe e foram contratadas por ele. Entre elas estão o procurador-geral do instituto, Carlos Marés, e Crispim Moreira, superintendente de Desenvolvimento Agrário. As demais ocupam cargos de assessoria.

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