Campinas, SP, 27 (AE) - Em carta enviada hoje ao presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, deputado Magno Malta (PT-ES), o ex-presidente do Guarani Futebol Clube, de Campinas, no interior de São Paulo, Luiz Roberto Zini diz que quer provar a inocência em relação às acusações de envolvimento com o empresário Willian Walder Sozza num suposto esquema de lavagem de dinheiro. "Estou disposto a ir a Brasília ou a qualquer outro lugar para submeter-me urgentemente a qualquer tipo de questionamento."
O ex-cartola foi citado ontem (26) pelo motorista Jorge Méres Alves de Almeida, em depoimento à CPI. Segundo Almeida afirmou que uma empresa de laticínio de Zini, "chamada Pauli", seria usada "para lavagem de dinheiro" de Sozza. Foragido há vários dias, Sozza é acusado de comandar uma suposta conexão, em Campinas, do esquema nacional de roubo de cargas, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, comandada pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC).
Na carta enviada ao presidente da CPI, Zini nega as acusações. "Nunca tive essa empresa (Pauli) e não conheço Willian Walder Sozza." O ex-cartola, que é dono de uma construtora em Campinas, diz ter ficado "muito aturdido e revoltado", ao ver o nome envolvido no caso. "Minha ansiedade é insuportável e não esperarei um chamamento formal para me submeter a todo tipo de questionamento", afirma.
O ex-cartola também nega que a empresa dele, a Construbel, tenha funcionado como sede do PRTB. Sozza presidiu o partido na cidade até 1996. Segundo Zini, o contador da empresa, José Luiz Trevisan, ao suceder Sozza no partido, forneceu o endereço da Construbel "para recebimento das correspondências"
uma vez que o PRTB não possui sede própria em Campinas. Zini garante nunca ter mantido nenhum relacionamento pessoal ou comercial com Sozza.
Segundo Zini, "basta o presidente da CPI expedir um fax ou dar um telefonema" e ele se deslocará para qualquer parte do Brasil onde a CPI esteja trabalhando. Pelo cronograma da CPI, porém, Zini só deverá ser ouvido quando os parlamentares que apuram as denúncias vierem a Campinas. A chegada da CPI à cidade deverá acontecer na próxima semana, depois de passar pelo Rio.

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