Ex-presidente do Flamengo é preso
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terça-feira, 30 de setembro de 2003
Agência Estado 
Rio - O ex-presidente do Flamengo Edmundo dos Santos Silva foi preso ontem por policiais federais sob acusação de envolvimento com um suposto bando de funcionários da Receita Federal e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que apagaria dívidas com o Fisco em troca de propinas. A ação foi parte do cumprimento de 27 mandados de prisão expedidos pela Justiça. Houve mais nove prisões cinco de auditores federais e quatro de intermediários. Até o delegado de Arrecadação Tributária, José Goes, da cúpula da Receita no Rio, teve prisão decretada. Edmundo alega inocência. O prejuízo estimado é de R$ 1 bilhão.
Segundo o Ministério Público Federal, as informações sobre o suposto esquema na Receita surgiram em meio a uma investigação de fraude contra a Previdência, feita pela força-tarefa formada por procuradores federais, INSS e PF. A PF, que ''grampeou'' telefones dos suspeitos, alega que o ex-presidente do Flamengo supostamente intermediava a ''venda'', junto a empresários, do esquema dos auditores, que faria desaparecer do sistema de informática da Receita Federal os registros das dívidas. Em troca, os beneficiados pagariam à suposta quadrilha de 10% a 20% da dívida verdadeira.
As investigações da Delegacia de Prevenção e Repressão a Crimes contra a Previdência da PF (Deleprev) primeiro apuraram que a suposta quadrilha tinha acesso a todas as informações sobre as empresas no INSS, como dados cadastrais e extratos de débito, histórico junto ao instituto etc. O ''serviço'' era então oferecido a um preço que variava com o débito e o risco: o bando pedia uma procuração concedendo amplos poderes e que o empresário assinasse formulários em branco específicos para obtenção de parcelamentos, ampliação do prazo para pagamento da dívida e, até, a extinção total do débito junto ao INSS.
Foi nessa investigação, por meio de escuta telefônica, que surgiram pistas do esquema da Receita, semelhante, mas aparentemente maior. O contato com as empresas era, muitas vezes, feito através de escritórios de intermediários.
Com mandados assinados pelo juiz Lafrêdo Lisboa, da 3Vara Federal Criminal, policiais chefiados pelo delegado Maurício Mandarino Teixeira Lopes chegaram no início da manhã de ontem à Delegacia da Receita Federal, no centro do Rio, onde prenderam os auditores Wallace Ferreira de Carvalho e Sandra Regina Pimentel. Goes foi procurado pelos agentes, mas, segundo apurou a AGÊNCIA ESTADO, saiu pela porta da frente da repartição assim que a equipe da PF chegou. Um suposto intermediário, Alberto da Silva Correia Neto, foi preso por outra equipe. Os policiais apreenderam documentos e computadores. Também acabaram presos os auditores da Receita Federal Manoel Soares da Paz, Fernando José da Rocha Velho e Dilson Cupertino da Silva Filho.
Nas investigações, foram interceptadas, com autorização judicial, cerca de 2.300 ligações. Os policiais também invadiram vários escritórios de advocacia para apreensão de documentos, o que provocou protestos de advogados na 3Vara e também da Ordem dos Advogados do Brasil.


