Porto Alegre, 07 (AE) - A Justiça Federal concedeu hoje liminar revogando a prisão do empresário Sérgio Schapke, ex-presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). Condenado a dois anos e quatro meses de reclusão por apropriação indébita, Schapke foi preso na segunda-feira (03). Diretor-presidente da Companhia Geral de Indústrias, o empresário cumpria pena em regime aberto no patronato Lima Drummond, órgão da Secretaria de Justiça e Segurança. O habeas corpus foi concedido pela juíza Eloy Bernst Justo, da 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
A juíza considerou que a pena de Schapke pode ser substituída pela prestação de serviços à comunidade, como aconteceu com Rubem Reuter e Angelo Soeiro de Souza, também diretores da companhia. A denúncia do Ministério Público Federal indicou que Schapke recolheu as contribuições previdenciárias de seus funcionários mas deixou de repassá-las à Previdência Social durante seis meses entre os anos de 1991 e 1992. A ausência do repasse alcançou o valor de R$ 213,6 mil.
Schapke foi presidente da Fiergs no período 1980-1983. É o terceiro empresário de destaque a ser preso este ano no Rio Grande do Sul. Antes dele, foram processados e condenados Michael Ceitlin, da indústria Zivi, e o diretor-presidente da Ortopé e ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), Horst Volk. Desde 1998, o empresário Ademar Kerwaldt, dono da empresa de cursos de informática Data Control, cumpre pena de 14 anos. Ele foi preso no ano passado.
Motivadas por sonegação fiscal e previdenciária, as detenções provocaram um protesto da Fiergs. Hoje a entidade publicou "a pedido" nos jornais de Porto Alegre com o título Desonra, Não. O texto defende o cumprimento da lei mas registra a existência de uma "onda de dificuldades" e lembra os "problemas inerentes à economia de mercado e à implacável competição que é a sua regra". O que seria agravado pelos "juros escorchantes, crédito escasso e burocracia sufocante", além da pesada carga tributária e da infraestrutura insuficiente. Nota que, "nestas circunstâncias, a atividade empresarial torna-se até temerária".

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