São Paulo, 13 (AE) - O número de internações na Febem está aumentando com o propósito de estagnar a instituição. A opinião é do ex-presidente da entidade Eduardo Domingues Silva. "Há uma postura deliberada e consciente de botar todos para dentro, mesmo sabendo que ali não há condições de desenvolver um projeto pedagógico", afirmou Silva, em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo", na semana passada, poucos dias após deixar o cargo. "Por mais vagas e condições que se criem, não dá para fazer frente à demanda; é um problema sem fim". "Se os promotores tivessem mentalidade de educadores não poriam meninos onde já está superlotado; se fazem isso é porque não querem melhorar nada".
Silva ressaltou que, apesar de ter deixado a presidência da fundação, continua preocupado com a situação. "Há uma disputa feia ali e quem sofre são os jovens". Ele identifica três facções na Febem: o grupo do padre Júlio Lancellotti, os sindicalizados da Associação de Funcionários e os do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assitência ao Menor e Família. Segundo ele, alguns integrantes de pastorais da igreja especializaram-se em denúncias. "Há um conflito de personalidades, há gente capacitada, que, no entanto, não sabe trabalhar em conjunto", diz. "Quem paga o pato é o adolescente", completa. "Isso tende a melhorar, mas não é fácil". Estatuto - Na sua opinião, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) está sendo ameaçado. "O ECA ficou conhecido como Estatuto dos Promotores na época de sua criação, mas hoje há uma campanha política contra o governador e o estatuto", diz. "Existe uma visão de que menino infrator tem de pagar mesmo, não querem nem saber do estatuto". Quanto à construção de miniinternatos no interior, a solução, em sua opinião, é a catequese. "Sou absurdamente contra a violência, tanto física, quanto verbal ou psicológica", salienta Silva.
"Fizemos muitas sindicâncias para apurar maus-tratos, quando assumimos a direção e dissemos que a Febem teria de ser um espaço para projetos educacionais, começaram os conflitos". Silva disse não ter mágoa de ninguém e considera-se um otimista. "O problema vai existir sempre, mas podemos reduzi-lo, com métodos modernos e reciclando pessoal".

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