Brasília, 24 (AE) - O ex-presidente da Encol, Pedro Paulo de Souza, encerrou há pouco a exposição inicial de mais de uma hora à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro no Senado, na qual ele culpou a política de juros elevados e atitudes do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal (CEF) pela falência da empresa. Ele informou que, no balanço patrimonial de 1994, a Encol tinha patrimônio líquido de R$ 250 milhões, R$ 1,9 bilhão em crédito com clientes e um índice de liquidez de 3,63 (para cada 1 real de dívida, 3,63 reais de receita). No entanto, segundo Souza, com o surgimento do Plano Real, os juros passaram da faixa real de 20% para mais de 100%, dependendo do prazo do empréstimo. Com isso, segundo ele, uma dívida de R$ 100 milhões, contraída pela empresa no BB em julho de 1995, transformou-se num débito de hoje R$ 300 milhões, segundo pleito do banco junto à massa falida da Encol. Um empréstimo de R$ 16,9 milhões, obtido na CEF, também em julho de 1995, para capital de giro, por um prazo de 90 dias, se transformou numa dívida pela qual a CEF cobra hoje, R$ 535 milhões. Souza afirmou também que a pressão dos bancos para ele quitar os empréstimos de curto prazo diminuiu o ritmo das entegas de apartamentos pela construtora e aumentou a inadimplência, passando de 0,4% em 1994 para 15% alguns anos depois. Souza relatou que, em janeiro de 1995, procurou a Presidência da República para dizer que necessitava de um empréstimo da CEF com o objetivo de concluir 60 dos 700 empreendimentos tocados pela empresa na época. Relatou que conversou com o então secretário-geral da Presidência, Eduardo Jorge, e foi por ele aconselhado a procurar o funcionário José Fernando, da área técnica da CEF, mas não conseguiu concluir nenhuma operação com a instituição. Souza disse ainda que, em maio de 1995, se reuniu com dirigentes do BB, da Caixa e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e definiu com eles uma reestruturação da dívida da Encol, mas nenhuma das instituições cumpriu o estabelecido no encontro. Ainda de acordo com ele, a Encol fez um acordo com o Banco Itaú para que este financiasse as obras da empresa no Rio. Para isso, segundo ele, o BB teria de liberar alguns dos imóveis relacionados como garantia dos financiamentos. Souza disse que isso era possível porque a lista de imóveis no banco totalizava R$ 200 milhões, enquanto a dívida era de apenas R$ 100 milhões. Mas a operação que, segundo ele, permitiria a retomada de obras, foi frustrada pelo BB.

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