Ex-presidente da Anhembi diz que Pitta e Maluf faziam indicações17/Mar, 20:50 Por Uilson Paiva São Paulo, 17 (AE) - O prefeito Celso Pitta (PTN) e o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) indicaram pessoalmente a contratação de funcionários para a Anhembi Turismo e Eventos de São Paulo. A informação foi prestada em depoimento à Polícia Civil e Ministério Público, na quinta-feira, pelo ex-presidente da Anhembi Ricardo Castelo Branco. Castelo Branco afirmou a delegados e promotores que os pedidos eram feitos apenas verbalmente - não deixando, assim, a possibilidade de obtenção de provas materiais das indicações. Os pedidos "pessoais" eram acompanhados muitas vezes da sugestão do cargo e do salário a ser pago aos funcionários. Maluf e Pitta serão chamados a prestar depoimento no inquérito que apura a contratação de funcionários fantasmas pela Anhembi provavelmente na semana que vem. Maluf será intimado e Pitta, convidado, com a prerrogativa de escolher dia e hora para o depoimento, em razão de ser prefeito. A nomeação dos fantasmas custou pelo menos R$ 7, 2 milhões para os cofres do Município por ano. Outros R$ 7 milhões eram movimentados pelo estacionamento da empresa, onde, de acordo com denúncia da primeira-dama Nicéa Pitta, também havia fraude e desvio de dinheiro. Segundo o Ministério Público, o número de fantasmas contratados pela Anhembi deve chegar a 200. Todos os funcionários suspeitos, cerca de 500 - a maioria ligados ao PPB - foram ouvidos pelo delegado Itagiba Franco no inquérito, que já dura um ano. Irregular - Castelo Branco também disse, em depoimento que durou dez horas, que fazia as contratações de funcionários por indicação direta da Secretaria do Governo - nas gestões de Edevaldo Alves da Silva e de seu sucessor, o atual secretário Carlos Augusto Meinberg. Ele alegou que agia assim por força de um contrato entre a empresa e a secretaria. O Ministério Público considera o contrato irregular. O ex-presidente da Anhembi confirmou que tinha de assinar todas as contratações, mas disse desconhecer as funções dos indicados. Segundo ele, isso ficava a critério de cada diretoria. Em depoimentos já colhidos, diretores da Anhembi informaram que não conheciam boa parte dos admitidos e atribuíram a responsabilidade pelas contratações ao ex-presidente da empresa. "Esse contrato é pano de fundo para justificar a contratação de pessoas que não exerciam nenhuma função pública e ganhavam sem trabalhar, para atender a pedidos de políticos e vereadores", afirmou hoje o promotor Alberto Andrade Neto, do Setor de Apuração de Crimes de Prefeitos. Em suas denúncias, Nicéa também declarou que, apesar de não exercer nenhuma função na administração, o filho de Maluf, Flávio, indicava nomes para cargos de confiança na Anhembi. Um deles teria sido o próprio Castelo Branco.

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