Ex-prefeito fica em silêncio, na cela que mandou construir
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sábado, 15 de maio de 1999
Por Jair Aceituno (especial para AGÊNCIA ESTADO) 
Bauru (SP), 16 (AE) - O prefeito cassado Antonio Izzo Filho - que se apresentou à polícia na tarde de sexta-feira para cumprimento de dois mandados de prisão contra ele expedidos pelo Tribunal de Justiça do Estado - está se mantendo longe da imprensa. Uma das condições por ele estabelecidas para se entregar foi que não ficasse exposto.
Seu advogado, Ailton José Gimenez, disse que seu cliente não se deixou prender durante mais de 60 dias porque ainda não tinha condições psicológicas para isso, mas nunca cogitou ficar indefinidamente na clandestinidade e que, nos próximos dias, convocará uma entrevista coletiva, onde mostrará documentos e outras provas com as quais pretende demonstrar sua inocência.
Por ser portador de diploma universitário, Izzo Filho está recolhido em cela especial para onde sua família levou cama
colchão, televisor e rádio. A mulher e os filhos podem entrar e sair a qualquer instante e outras pessoas têm de se submeter às regras de visita válidas para todos os presos.
Segundo policiais encarregados da vigilância, nos primeiros dias o ex-prefeito leu jornais e permaneceu por muito tempo calado, como que meditando. Ele aguarda o julgamento, no Superior Tribunal de Justiça, de um habeas-corpus que, se concedido, permitirá responder aos processos em liberdade.
Contra ele existem duas acusações: ter extorquido US$ 1 3 milhão da empresa de ônibus da cidade e ter mandado ex-auxiliares promover atentados com bombas incendiárias e tiros contra as casas e veículos de vereadores da oposição e outros adversários políticos.
Essa é a segunda vez que a cela especial do 1º Distrito Policial de Bauru - onde Izzo Filho está recolhido - é utilizada. A primeira foi no início da década, quando ali esteve preso Roberto Cintra, ex-diretor da Cooperativa de Crédito Agro-Pecuário de Bauru e da corretora de títulos Valorama, que quebraram e deram prejuízo para milhares pessoas no ano de 1985.
Cintra é tido como o único ex-banqueiro que foi para a cadeia no Brasil, depois de quebrar as instituições que dirigia. E, por ironia do destino, foi o próprio Izzo Filho que construiu a tal cela, às expensas do município, durante o seu primeiro mandato de prefeito, entre 1989 e 93.


