Curitiba, 07 (AE) - O ex-prefeito de Londrina (PR) Luiz Eduardo Cheida deixou o PT, após 17 anos de filiação. Segundo ele, o partido tem uma "política de gueto, de enclausuramento" e "privilegia mais a disputa interna, em detrimento de um projeto amplo". "Tentei fazer o PT enxergar, nesses 17 anos, que não é um ente messiânico, que sozinho não vai fazer a transformação do País, mas não consegui", disse.
Cheida disse que esperava que o partido se modernizasse e aceitasse as críticas. "Não vimos nenhum progresso nisso", avaliou. Segundo ele, enquanto esteve à frente da prefeitura de Londrina, entre 1993 e 96, tentou fazer uma "administração plural e democrática", convidando pessoas de outros partidos e alguns não ligados a partidos políticos para ajudá-lo. "Fui muito criticado por isso", reclamou.
Segundo ele, a "gota dágua" para a decisão de deixar o partido foi o apoio do PT à campanha "Fora FHC". "É uma proposta golpista, em que o PT entra a reboque de outro partido", disse, referindo-se ao PDT. "Por mais que discorde do presidente, não se pode simplesmente abortá-lo, pois foi eleito democraticamente", argumentou. "Eu sigo o ditado que diz que os incomodados se retirem, por isso estou me retirando."
Apesar de ter recebido convites do PPS e do PMDB, o ex-prefeito ainda não se definiu sobre os rumos partidários. "Quero participar das eleições do próximo ano, mas ainda não sei se como candidato", afirmou.
Desde que perdeu as eleições para deputado federal no ano passado, Cheida tem se dedicado à medicina, trabalhando em quatro hospitais, além de dar aulas em escolas de Londrina. Ele também acaba de escrever um livro didático de Biologia, que será editado no próximo ano.

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