Ex-policial suspeito de matar Eliza se entrega
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quinta-feira, 08 de julho de 2010
Das agências 
Belo Horizonte - Apontado como autor do homicídio da estudante Eliza Samudio, o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Marquinhos Paulista, se entregou à polícia no início da noite de ontem em Venda Nova, região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Marcos usava uma touca preta na cabeça e não se pronunciou na chegada tumultuada ao Departamento de Investigação.
Bola se apresentou acompanhado por uma tia. Houve empurra-empurra na passagem do ex-policial por cinegrafistas e fotógrafos. A juíza Marixa Fabiana Lopes Rodrigues, do Tribunal do Júri de Contagem, decretou a prisão temporária de 30 dias de Souza ontem à tarde.
Santos foi excluído da Polícia Civil, em 22 de julho de 1992, após um processo administrativo - ele havia ingressado na corporação em 2 de março do ano anterior. No bairro Santa Clara, em Vespasiano, o nome de Bola está relacionado a pelo menos mais dois crimes: o espancamento de um suposto usuário de drogas e a morte de dois homens acusados de roubar um carro.
''O pessoal tem medo dele aqui'', afirmou o comerciante M.P., de 27 anos. ''No fim do ano passado, teve um roubo de carro. O dono avisou Márcio, que foi lá, encontrou os caras e 'passou' (matou) eles'', conta o jovem. Também moradora do bairro, a dona de casa G.S., 60, afirma que seu filho foi espancado pelo ex-policial. ''Ele bate em todo mundo que mexe com drogas no bairro.''
A Polícia Civil não confirmou os casos. ''O Paulista é especialista em matar'', afirmou o delegado Edson Moreira. ''Ele tem vários antecedentes criminais'', completou, sem citar as passagens policiais do suspeito. O advogado Roberto Assis Nogueira, defensor do ex-policial, garantiu que seu cliente tem boa conduta. ''Essas coisas aconteceram no passado. E atualmente, o que ele fez de errado?''
O delegado acredita que Santos possa ter se apresentado com apelidos diferentes a algumas pessoas para dificultar a investigação. O jovem de 17 anos conheceu o ex-policial como Neném ou Nem. Eliza pode ter conhecido o ex-policial como sendo Russo, segundo Moreira. A polícia investiga como Bola e Bruno se conheceram. Uma das possibilidades é que eles tenham sido apresentados por um ex-policial militar, que faz a segurança do atleta.
Confusão
O ex-goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, cumpriram o primeiro dia de suas prisões temporárias sem receber nenhuma visita. Eles passaram a madrugada em celas separadas, individuais, com cerca de oito metros quadrados e sem banheiro, na Divisão de Homicídios.
Agentes entregaram colchonetes e cobertores para os dois. Ao acordar, eles recusaram o café da manhã e só se alimentaram no início da tarde. Por volta das 14h, Bruno e Macarrão foram transferidos para Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. No início da noite, o Tribunal de Justiça do Rio autorizou que os dois fossem transferidos para Belo Horizonte.
Ao sair da Divisão de Homicídios rumo à Penitenciária Alfredo Tranjan, conhecida como Bangu 2, o goleiro levava uma biblia na mão. Ele e Macarrão usavam as mesmas roupas da véspera, quando se entregaram na Polinter do Andaraí, zona norte. Como já havia acontecido na véspera, Bruno foi vaiado e chamado de ''assassino'' por cerca de 50 pessoas que aguardavam sua chegada ao presídio.
O adolescente de 17 anos, que contou à polícia como teria acontecido a morte de Eliza Samudio, está apreendido no Centro de Recuperação Intensiva e Atendimento ao Menor (Criam), na Ilha do Governador.


