Nelson Francisco
Agência Estado
De Cuiabá
A Polícia Federal (PF) de Mato Grosso confirmou ontem de manhã a prisão, pela polícia de Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai, do ex-policial militar do Mato Grosso do Sul Maurício Marques Nivero, de 34 anos, também conhecido como ‘‘Pelego’’, suspeito da participação no assassinato do juiz de Cuiabá Leopoldino Marques do Amaral.
O superintendente da PF em Mato Grosso, Jorge Luiz Bezerra, revelou que o delegado Fábio Amorim Soares se deslocou para Ponta Porã, para ouvir o suspeito. O depoimento não foi revelado para não atrapalhar as investigações.
A PF, em Brasília, enviou ontem o delegado Roberto Pinto de Luna, lotado em São Paulo, e mais dez agentes para participarem das investigações sobre o assassinato do juiz.
O ex-PM, segundo o superintendente, tem cinco assassinatos na ficha, alguns deles ligados a execuções em Mato Grosso, e está detido no Quartel da Polícia Militar da cidade. Também é acusado de ter participado de uma chacina em Mato Grosso do Sul, na qual quatro pessoas foram executadas.
Fontes extra-oficiais, revelaram que o preso seria um matador de aluguel e integrante de uma organização conhecida no mundo do crime como Empreiteiros de Cristo. Revelaram ainda que esta organização teria ligações com o narcotráfico na Bolívia e no Paraguai.
A PF divulgou ontem o retrato falado de um homem que estaria rondando o Hotel Beira Rio, no bairro Ponte Nova, em Várzea Grande (Região Metropolitana de Cuiabá), durante o dia 3, data do desaparecimento de Amaral. O desconhecido passou várias vezes próximo do hotel e estaria à procura do juiz. O suspeito é um homem branco, magro, de cerca de 50 anos, 1,80 metro e usava chapéu branco. O juiz deixou o hotel no dia 3, por volta das 23 horas, dirigindo a picape de cabine dupla. Ele havia dispensado o motorista uma hora antes. O retrato foi confeccionado na Divisão de Operações Especiais da Polícia Civil de MT, com base no relato de cinco testemunhas. Para o delegado, a localização desse suspeito é uma das maneiras de chegar aos criminosos.
A PF confirmou também que o juiz estava investigando, por conta própria, alguns narcotraficantes na fronteira com Cáceres (MT). Segundo o superintendente, o juiz almoçou com dois advogados, no dia 2, em Cáceres, considerada a principal rota de entrada de cocaína no Brasil. O nome dos advogados não foi revelado pela PF.
A reportagem apurou que o magistrado estaria investigando um barco carregado com droga que afundou nas águas do Rio Paraguai, em Cáceres. O fato teria ocorrido há três meses. A cocaína teria sido embarcada em Corumbá (MS) e iria para a Região Sudeste.
O delegado informou ainda que o sigilo telefônico de vários suspeitos pode ser quebrado, até mesmo o do telefone celular de Amaral. ‘‘São nomes de traficantes bolivianos, taxistas e também pessoas comuns, mas nenhum juiz’’, ressaltou.
Jorge Luiz Bezerra acrescentou que há várias suspeitos (entre oito e nove) que estão sendo investigados. ‘‘Estamos debruçados em cima de cópias de documentos que foram encaminhados pelo magistrado à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Judiciário e também ao Superior Tribunal de Justiça (STJ)’’, explicou.
O sigilo telefônico do juiz também será quebrado. Segundo a proprietária do Hotel Beira Rio – que prefere não se identificar –, onde o juiz ficou hospedado no dia 3, Amaral ficou horas ao telefone celular.
De acordo com familiares, Amaral deixou de fazer contatos com a mulher e os filhos no sábado de manhã. A PF sabe que a picape S-10, cabine dupla, cor prata, localizada na região de Cerro Corá, Paraguai, a 40 quilômetros de onde o corpo do magistrado foi deixado, pertence ao juiz. A picape está em nome de Rosimar Monteiro, mulher dele.
Uma equipe de peritos da PF está desde quarta-feira fazendo a perícia no carro, que foi preservado pela polícia paraguaia. O resultado deverá ser conhecido nos próximos dias.Maurício Nivero foi detido pela PF e é tido como um matador de aluguel integrante da organização conhecida como Empreiteiros de Cristo
Folha do EstadoVítimaJuiz Leopoldino Marques do Amaral foi assassinado após apresentar várias denúncias contra desembargadores do MT, inclusive a de beneficiar traficantes

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