Ex-policial diz não ter mais certeza de ser reponsável pela morte
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domingo, 09 de abril de 2000
Por Elizabeth Lopes 
São Paulo, 10 (AE) - O ex-PM Otávio Lourenço Gambra, o Rambo, acusado de ter matado o escriturário Mário José Josino com um tiro, na Favela Naval, em março de 1997, disse hoje, em depoimento, não ter mais certeza de ser o responsável pela morte. Em depoimento anterior ele havia se declarado culpado. Rambo está sendo julgado novamente no Fórum de Diadema.
A estratégia fez parte da sua defesa. Antes mesmo do início do julgamento, o anúncio de que poderiam ser apresentadas novas provas, fundamentadas pelo coronel chefe do Departamento de Operações Ostensivas e Reservadas da Corregedoria da Polícia Militar, Rui Francisco de Azevedo, causou polêmica e mal-estar na promotoria.
O promotor encarregado deste caso, José Carlos Blat, considerou estranho o fato de o coronel da PM estar defendendo um ex-policial que já havia se declarado culpado em julgamento anterior. Além disso, o promotor estranhou também o fato de a defesa de Rambo arrolar o coronel como testemunha de defesa neste segundo julgamento. O advogado da vítima, Gamalher Correia
disse, em entrevista, que essa nova prova, feita por um tecnólogo em computação, foi feita a pedido do coronel Rui Azevedo e que poderia derrubar os laudos que o Instituto de Criminalística e a Unicamp fizeram. O próprio Azevedo disse que essas novas provas poderiam mostrar que o tiro que matou Josino não partiu da arma de Rambo.
Ao ser informado sobre a nova prova que poderia ser apresentada, pela defesa, José Carlos Blat reagiu: "Era só o que me faltava." Ele explicou que é muito estranho a corregedoria da PM estar questionando a perícia feita por órgãos sérios e competentes como o Instituto de Criminalista e a Unicamp, que provaram que o tiro que matou Josino partiu da arma de Rambo.
O julgamento de Rambo teve início sem a presença de uma das vítimas, Silvio Calixto, que juntamente com Jeferson Caputi e Antonio Carlos Dias foram ameaçados por Rambo em março de 1997. Carlos Blat afirmou que, infelizmente, as testemunhas no Brasil não são protegidas pelo Estado. "Falta um programa de proteção às testemunhas." Segundo fontes ligadas à Justiça, essas vítimas já foram ameaçadas por policiais militares e, por essa razão, estariam temerosos em depor neste novo depoimento.


