Rio, 23 (AE) - O ex-policial militar Roberto do Amaral começa a ser julgado amanhã (24), às 13 horas, no 2º Tribunal do Júri do Rio. Ele é acusado de participação na chacina de Vigário Geral, ocorrida na madrugada do dia 30 de agosto de 1993, quando 21 moradores da favela foram executados. Movimentos em defesa dos direitos humanos prometem fazer manifestação na porta do tribunal em protesto contra a lentidão da Justiça e saída do promotor do caso, Júlio Cesar Lima.
"Não podemos deixar que o processo termine em pizza e a manifestação serve para manter a chacina viva para a sociedade"
justificou a assistente de acusação no processo e diretora da organização não-governamental (ONG) Centro Brasileiro de Defesa da Criança e do Adoslecente, a advogada Cristina Leonardo. A atriz Glória Perez deverá participar das manifestações.
A acusação tentará provar aos sete jurados, que serão escolhidos por sorteio minutos antes da sessão, que Amaral estava entre os policiais que cometeram a chacina. Já a defesa do ex-PM promete contra-atacar afirmando que o crime foi cometido durante a madrugada, quando estava escuro e portanto, seria difícil a identificação dos responsáveis pelo massacre.
A previsão de duração do júri é de três dias e promete causar muita polêmica nos corredores do Tribunal de Justiça do Rio. O promotor Júlio César Lima pediu substituição do caso alegando choque com a Procuradoria de Justiça. Segundo Cristina Leonardo, o promotor estaria insatisfeito com a falta de apoio do procurador-geral, José Munõz Piñeiro, para o julgamento. Processo - Dois ex-PMs já foram condenados por participação na chacina e dez absolvidos por falta de provas. Além de Amaral, outros 17 ex-policiais aguardam julgamento. Dois morreram antes de ir à júri. No processo que ficou conhecido como Vigário Geral 2, mais 19 ex-PMs são acusados de envolvimento no caso e esperam a conclusão de investigações requeridas pela defesa e acusação para inclusão em pauta de julgamento. O desmembramento do caso aconteceu depois da divulgação de cinco fitas com novas versões sobre a chacina.

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