Ex-PM muda versão sobre chacina
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quarta-feira, 18 de junho de 1997
Agência Estado Rio 
O ex-soldado da PM Nelson Oliveira dos Santos Cunha, um dos réus no processo da Chacina da Candelária, alegou inocência ontem no início de seu julgamento, no 2º Tribunal do Júri. Pouco depois da abertura da sessão, às 13h40, Cunha, hoje convertido à religião evangélica, fez uma citação bíblica e disse que não participou da chacina, ocorrida na madrugada de 23 de julho de 1993, quando oito meninos de rua foram mortos nas imediações da Igreja da Candelária. Não matei ninguém, excelência, disse ele ao juiz José Geraldo Antônio.
Em seu primeiro julgamento, em novembro do ano passado, quando foi condenado a 261 anos de prisão, Cunha foi interrogado durante mais de uma hora e confessou sua participação no crime. Na ocasião, ele afirmou que deu um tiro acidental em Wagner dos Santos, sobrevivente e principal testemunha da chacina, e que fez alguns disparos, mas não sabia se teria atingido alguém.
Ontem, o ex-PM, que entrou no plenário com uma Bíblia sob o braço, falou por cerca de três minutos, e comparou sua situação a uma passagem bíblica. Moisés era um homem de fala pesada, arrastada, por isso preferiu não falar; eu sou inocente, não participei da chacina e vou deixar que meu advogado fale por mim, disse Cunha.
A previsão era de que o julgamento terminaria na madrugada de hoje. Cunha foi levado a novo júri porque esse é um direito assegurado a qualquer pessoa no Brasil que seja condenada a mais de 20 anos de prisão, em júri popular. O advogado do ex-PM, Maurício Neville, pretendia explorar o fato de seu cliente não ter sido reconhecido por Wagner dos Santos como o autor do disparo que o feriu no rosto.


