São Paulo, 09 (AE) - O ex-soldado da Polícia Militar Otávio Lourenço Gambra, conhecido como "Rambo", volta a ser julgado amanhã (10), a parir das 10 horas, no Tribunal do Júri de Diadema, na Grande São Paulo. Ele é acusado de assassinar o escriturário Mário José Josino, no início de março de 1997, durante uma falsa blitz na Favela Naval, em Diadema. A previsão inicial é que o julgamento dure três dias.
O julgamento será presidido pela juíza Cláudia Maria Carbonari de Faria. Ao todo, dez policiais participaram da ação, que foi registrada, em três dias de filmagens, por um cinegrafista amador. Nove já foram julgados, sendo que sete estão soltos e dois presos. Em seu primeiro julgamento, Gambra foi julgado e condenado a 59 anos e 6 meses de prisão. Seus advogados recorreram da sentença e três desembargadores do Tribunal de Justiça anularam o julgamento.
Desde 1997, ele está detido no Presídio Especial Romão Gomes, na zona norte de Sâo Paulo, destinado a policiais que cometeram crimes. A defesa de Gambra alega que ele não é o autor do disparo que matou Josino. Entretanto, já no seu primeiro julgamento, os peritos da equipe técnica do Instituto de Criminalística (IC) conseguiram comprovar que Gambra estava em posição de tiro e apontou diretamente para Josino, antes do disparo, o que caracteriza homicídio doloso (quando há intenção de matar). Violência - Durante falsas blitze, os policiais do 24º Batalhão da Polícia Militar paravam motoristas e moradores da Favela Naval. A grande maioria era agredida pelos policiais. Em um dos bloqueios feito em 07 de março, os PMs pararam o Gol, preto, onde estavam o auxiliar de contabilidade, Jéfferson Caput e o vendedor Antônio Carlos Dias, que acompanhavam Josino - sentado no banco traseiro do carro.
Os três foram espancados pelos policiais. Ao saírem do local, Gambra apontou uma pistola para o carro, atirou e acertou Josino, que morreu horas depois no Pronto-Socorro Geral de Diadema. Toda ação foi registrada por um cinegrafista amador e divulgada pela Rede Globo. Anulação - A reportagem apurou que a defesa de Gambra irá tentar anular o laudo do Instituto de Criminalística (IC). De acordo com o programa do julgamento, amanhã serão lidas apenas as peças do processo. Um dos pontos altos do julgamento será a apresentação, terça-feira, de dois laudos digitalizados pelos peritos Glays Regina Petri Soares de Oliveira e Joel Menezes Júnior, do Setor de Perícias Especializadas em Computação Gráfica do IC.
Os dois laudos serão apresentados aos jurados através de um telão montado no último sábado no plenário do júri do Fórum de Diadema. O primeiro laudo, o de constatação, é o mesmo que foi utilizado no primeiro julgamento de Gambra. Ele traz o levantamento planialtimétrico da Favela Naval, com as medidas e planos que foram utilizados na reconstituição e levantamento de vestígios produzidos pelos disparos feitos pelos policiais.
Além disso, serão utilizados reprodução passo-a-passo das fotos capturadas no vídeo, no momento em que o músico Silvio Calixto Lemos é espancado por dois policiais. No segundo laudo, as imagens e o áudio da fita original foram digitalizadas pelos peritos. O objetivo é mostrar com maior clareza e detalhe as falas e imagens, e mostrar, por exemplo, que durante a ação os policiais não usavam insígnias de identificação da PM. Ao todo, são 42 imagens digitalizadas. O laudo contará com uma simulação computadorizada do momento do disparo feito por Gambra, que atingiu Josino.

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