Ex-PM faz desabafo para tentar impressionar jurados
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quinta-feira, 24 de abril de 1997
Agência Estado, do Rio 
Otávio Magalhães/Agência Estado
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ApeloO ex-policial militar Roberto Alvarenga (c) chega ao 2º Tribunal do Júri, no Fórum do Rio, onde está sendo julgado pela sua participação na chacina de 21 moradores de Vigário Geral. Alvarenga alega inocência e diz que está sendo processado só por ser um policial militar RIO - Primeiro réu a ser julgado sob acusação de ter participado da Chacina de Vigário Geral, em que 21 trabalhadores foram mortos em 1993, o ex-soldado da PM Paulo Roberto Alvarenga, de 38 anos, fez ontem um desabafo ao juiz José Geraldo Antônio, do II Tribunal do Júri, do Rio, para tentar convencer os jurados de que é inocente. Alvarenga disse que estava sendo processado por ser um PM e comparou sua situação à das vítimas do massacre. Não sei se um empresário ou uma pessoa comum seriam indiciados nesse caso, assim como as vítimas só poderiam ser mesmo de uma comunidade carente, afirmou. A minha culpa é ter sido PM, por isso fui indiciado.
O primeiro júri da maior chacina urbana já ocorrida no Rio não atraiu a atenção de entidades de defesa dos direitos humanos nem da imprensa internacional. Cinco minutos antes do horário previsto para o início da sessão, o autônomo Hélio Martineli Guimarães realizava um protesto solitário em frente à porta do Fórum, estendendo cartazes na calçada, pela condenação do réu. O primeiro dia de sessão - que deverá terminar hoje à noite ou na madrugada de amanhã - foi acompanhado por apenas um jornalista estrangeiro.
Os 180 lugares do plenário do II Tribunal do Júri - que foram disputadíssimos em outros casos rumorosos, como o julgamento dos acusados pela Chacina da Candelária - não chegaram a ser totalmente ocupados. James Cavallaro, representante no Brasil da Human Rights Watch (entidade de defesa dos direitos humanos com sede nos Estados Unidos), atribuiu o pouco interesse no julgamento ao fato de o júri, marcado para a semana passada, ter sido adiado.


