Ex-PM é condenado a seis anos por uma morte na chacina de Vigário Geral
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quarta-feira, 25 de agosto de 1999
Por Andréia Maia 
Rio, 26 (AE) - O ex-policial militar Roberto Cezar do Amaral Júnior foi condenado, na madrugada de hoje, a seis anos de prisão em regime semi-aberto pela morte de José dos Santos, um das 21 vítimas da chacina de Vigário Geral, que completa seis anos na segunda-feira (30). O juiz José Geraldo Antônio concedeu ao réu o direito de recorrer da setença em liberdade uma vez que o ex-PM está preso há cinco anos, 11 meses e 11 dias faltando apenas 19 dias para completar o total da pena. O alvará de soltura será expedido amanhã (27) pela manhã pela Justiça.
O promotor Júlio César Lima não concordou com a decisão do julgamento e vai recorre. Os advogados de defesa do réu, representados pelos defensores públicos Darci Burlandi Cardoso e Nilsomaro de Souza Rodrigues, disseram que vão reunir-se na próxima semana com ele para saber se o ex-PM quer também entrar com recurso. O julgamento aconteceu no 2º Tribunal do Júri do Rio e durou três dias. O ex-PM foi denunciado pelo Ministério Público por 21 homicídios duplamente qualificados e quatro tentativas, mas acabou sendo condenado apenas pela morte de uma vítima. Ele foi o 14º réu a ir a julgamento e o terceiro a ser condenado.
Em 1997, os ex-PMs Paulo Roberto Alvarenga e Arlindo Maginário Filho receberam mais de 400 anos de prisão pela participação no crime. Alvarenga entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou a chacina um crime continuado (as mortes foram praticadas num mesmo ato) e determinou que fosse aplicada nova pena, alterando a setença para 57 anos de reclusão. Desmembramento - Outros 18 envolvidos no crime aguardam julgamento e dois morreram antes de ser julgados. A Justiça do Rio já absolveu dez acusados - nove ex-PMs e um detetive - que teriam participação na chacina, porque considerou que não foi provado o envolvimento deles. No processo que ficou conhecido como Vigário Geral 2, mais 19 pessoas são acusadas ter ligações a morte das 21 vítimas e também esperam a conclusão de investigações para ir a julgamento.
Esse desmembramento do processo aconteceu após a divulgação de cinco fitas gravadas pelos primeiros réus, presos. A chacina teria sido cometida em represália a morte de cinco policiais militares na favela no dia anterior.


