a mesma que presidiu a sessão de hoje, a 59 anos e 6 meses de prisão. Seus advogados recorreram da sentença e três desembargadores do Tribunal de Justiça anularam a decisão do júri anterior, em maio de 1999, forçando a ser realizado um novo julgamento. Durante o julgamento no Fórum de Diadema, o advogado Gamalher Corrêa, defensor do ex-PM, utilizou quase todo o seu tempo defendendo a decisão do tribunal de Justiça, que cancelou o julgamento anterior, alegando que não houve tentativa de homicídio aos outros três homens que estavam na carro com Josino
Silvio Calixto Demos, Jefferson Sanches Caput e Antonio Carlos Dias. O advogado chegou a afirmar ironicamente que o promotor José Carlos Blat era "muito corajoso" por questionar uma decisão de instância superior. Sobre a morte do conferente Mário José Josino, o advogado surpreendeu, ao defender duas teses. Primeiro, Gamalher Corrêa afirmou que o disparo que matou Josino não saiu da arma de Rambo; depois, o advogado disse que, se o júri considerasse o ex-PM culpado pelo assassinato, que fosse por crime culposo (sem intenção) e não doloso (com intenção). "Ele poderia ter trucidado o Josino fora do carro, se quisesse", disse. Mas, como não o fez, esta é uma demonstração clara de que o disparo não teria como objetivo acertar o conferente." Bíblia - Gambra chegou ao Fórum de Diadema às 8h35 usando o mesmo terno verde que estava na leitura de sua sentença, em 1998. Verde, segundo os familiares do ex-PM representa esperança. Com as mãos algemadas, Gambra também carregava uma bíblia. Sem falar nada, ele suou muito durante o julgamento e aparentava muito nervosismo. O seu advogado, Gamalher Corrêa, usou as atribuições do acórdão anterior para que os jurados não condenassem Gambra. A empregada doméstica Efigênia Guilhermina Josino, mãe do conferente Josino, esteve hoje, pela primeira vez, no julgamento. Para ela, apenas Deus pode perdoar. "Eu quero justiça. Tem de ser feita justiça. Meu filho ajudava em casa. Eu tinha 10 filhos, agora um foi embora desse jeito", afirmou. Efigênia também reclamou sobre indenização. A família entrou com processo contra o Estado, pedindo 10.000 salários-mínimos como indenização e ganhou em primeira instância. Na época, o governador Mário Covas chegou a dizer que a indenização era justa, mas o Estado recorreu. "Eu exijo a indenização. Nada é mais justo do que isso", declarou a mãe de Josino. Além da família, mais cinco vítimas dos policiais militares de Diadema pediram indenizações, mas até agora ninguém recebeu nada. Famílias amigas - Efigênia afirmou que até hoje está indignada com o assassinato do filho porque as duas famílias eram muito próximas. "Cheguei a levar o irmão do Otávio para a escola, lavei roupa para a família dele e, 15 dias antes do assassinato, Otávio e Josino jogaram bola juntos", afirmou. A esposa de Gambra, Maria José Cavalcante Gambra, negou que seu marido e Josino haviam jogado futebol juntos. "Isso não existe é mentira", disse Maria José, negando as informações da mãe do conferente. De acordo com ela, as duas famílias eram amigas. "Mas apenas o irmão do Otávio. O meu cunhado conhecia o Josino." Maria José afirmou que o julgamento do ex-PM não termina hoje. "Existem várias brechas neste processo, que certamente recorreremos ao TJ e ele será cancelado de novo", acredita. Maria José afirmou que não tinha condições de avaliar o comportamento de seu marido como policial, mas somente como marido.Por Jander Ramon Diadema (SP) - O ex-PM Otávio Lourenço Gambra, o Rambo, foi condenado hoje por homicídio doloso, por unanimidade, a 46 anos, 3 meses e 10 dias de prisão pelo assassinato do conferente Mário José Josino e tentativa de morte contra outros dois homens, na noite de 7 de março de 1997, durante uma blitz policial na Favela Naval, em Diadema na Grande São Paulo. A defesa já avisou que vai recorrer. Rambo já havia sido condenado pela juíza Cláudia Maria Carbonari

mockup