Agência Estado
Do Rio
O ex-cabo da Polícia Militar William Alves, acusado de participar da chacina de Vigário Geral, ocorrida em 30 de agosto de 1993, quando 21 moradores foram assassinados, começou a ser julgado ontem à tarde, no 2º Tribunal do Júri do Rio. O julgamento havia começado na segunda-feira, mas foi cancelado depois que a promotora Cristina Medeiros da Fonseca passou mal. Interrogado, o ex-PM negou participação no crime. A sentença deveria sair no início da madrugada de hoje.
Alves é o 15º acusado a ir a julgamento e responde o processo em liberdade. Numa decisão polêmica, o Tribunal do Júri condenou a seis anos, em agosto, o ex-PM Roberto Cézar do Amaral Júnior pela morte de apenas uma vítima, José dos Santos. Amaral Júnior está recorrendo da decisão em liberdade.
Dos 33 indiciados pelo Ministério Público (MP), 11 acusados foram absolvidos, 16 aguardam julgamento, 2 morreram e, além de Amaral Júnior, 2 foram condenados – Paulo Roberto Alvarenga e Arlindo Marginário. A chacina ocorreu um dia depois que quatro PMs foram assassinados na Praça Catulé do Rocha – a principal da favela – por traficantes. Em represália, 21 moradores foram executados por um grupo de policiais conhecido como ‘‘Cavalos Corredores’’.
O julgamento começou ontem, às 14 horas, com o interrogatório de Alves, que negou envolvimento na chacina. Ele disse ao juiz José Geraldo Antônio que, na hora do crime, jantava numa pizzaria com a família e só soube da matança no dia seguinte, por meio de amigos.
No início da noite, as testemunhas de acusação Jadir Inácio, Ubirajara Santos e Vera Lúcia – todos sobreviventes da chacina – iriam prestar depoimento. Em seguida, estava previsto o debate entre defesa e acusação.

mockup