Rio, 24 (AE) - A ex-ouvidora da polícia do RJ Julita Lemgruber afirmou hoje que as pressões contra a Ouvidoria chegaram ao ponto de o comandante da Polícia Militar, coronel Sérgio da Cruz, aposentar, antes do tempo, o coronel da Waldemir Martins - elo entre a corporação e a ouvidoria. A medida seria em represália por sua "imparcialidade" na investigação de denúncias contra policiais. A afirmação foi feita em depoimento à comissão que apura denúncias contra as polícias Civil e Militar do RJ.
Ontem (23) Julita já havia acusado Cruz de favorecer policiais denunciados por crimes, em depoimento à Comissão Contra a Violência da Assembléia Legislativa do Rio."Esse policial militar, Waldemir Martins, absolutamente competente e imparcial, foi indicado pelo coronel Cruz para a cota compulsória", afirmou a ex-ouvidora. "Para a PM, a compulsória equivale à expulsória, ou seja, o coronel Sérgio da Cruz expulsou da Polícia Militar o coronel Martins porque ele foi imparcial".
O relações públicas da PM, coronel Nilton Lourenço, classificou a declaração de Julita de "equívoco"."Para haver promoção, é preciso que haja postos do mais alto quadro da PM em aberto, mas se isso não ocorre, uma comissão avalia quem cai na cota compulsória", afirmou o policial. "No fim do ano passado, quatro coronéis passaram para a compulsória." Segundo Lourenço, Cruz não responderá às acusações de Julita por ordem do governador.
A procuradora Celma Alves, coordenadora da comissão de investigação, não descartou a possibilidade de intimar o coronel Sérgio da Cruz para depor. Julita prestou depoimento por 3h30 no Ministério Público do Estado.Ela detalhou as 101 denúncias que havia entregue ao órgão no início da semana: 56 dizem respeito à Polícia Militar e 45, à Civil.
A ex-ouvidora negou-se a citar nomes ou especificar casos, mas divulgou nota informando que foram instaurados 11 Inquéritos Policiais Militares (IPM) e a Polícia Civil abriu 16 sindicâncias sumárias para apurar as suspeitas. Nenhum caso foi concluído e os prazos expiraram."As minhas denúncias não têm relação com as denúncias já encaminhadas por Luiz Eduardo Soares (coordenador da Segurança, demitido pelo governor há uma semana)", afirmou. A ex-ouvidora cobrou "investigação competente e criteriosa" da comissão. "Não estou preocupada com a minha segurança: o trabalho da ouvidoria foi digno e não tenho nada a temer", afirmou.

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