São Paulo - A ex-mulher do médico pediatra Eugenio Chipkevitch, Maria Inês Mendonça, prestou depoimento ontem ao delegado Virgílio Guerreiro Neto, do 51º Distrito Policial, em São Paulo. Segundo o delegado, ela relatou fatos referentes à vida do casal e do filho de 10 anos.
O pediatra foi preso no dia 21 de março, acusado de dopar e abusar sexualmente de seus pacientes.
Segundo o delegado, Maria Inês não teria conhecimento ‘‘nem das fitas, nem dos fatos’’.
Maria Inês deixou a delegacia por volta de 12h40 cobrindo o rosto e acompanhada de sua prima, que é advogada. Conforme Otávio Augusto Rossi Vieira, advogado que defende o médico, o depoimento de Maria Inês não complicou a vida de seu cliente. O advogado, que acompanhou o depoimento, não quis dar detalhes do que foi dito porque já solicitou sigilo nas investigações.
‘‘Essa moça (Maria Inês) não tem nada a ver com isso e está comovida com os fatos’’, disse Rossi Vieira. O advogado disse ainda que o pediatra está deprimido e preocupado com a repercussão das denúncias por causa do filho.
Outro depoimento - Um outro depoimento aconteceu na manhã de ontem no 51º Distrito Policial. Geraldo Luiz dos Santos Lima, um dos sócios da HMed Distribuidora de Produtos Hospitalares, que foi interditada anteontem pela Vigilância Sanitária e pela Polícia Civil, foi ouvido pela polícia.
A fiscalização afirma ter encontrado irregularidades na venda de medicamentos controlados, como o caso do Dormonid, que seria usado pelo pediatra para dopar seus pacientes.
Frascos do medicamento foram apreendidos no consultório de Eugênio Chipkevitch e receituários do pediatra com numeração falsa foram encontrados na HMed.
O proprietário disse ao sair da delegacia que se sente uma vítima dos fatos. ‘‘Efetuei as vendas dentro dos padrões legais. Tenho nota fiscal de entrada, de venda e notificação do médico. A legislação permite a venda do medicamento desde que seja até cinco ampolas’’, disse.
Segundo a Vigilância Sanitária e a polícia, os medicamentos controlados devem ter uma receita azul com um número fornecido ao médico pela Vigilância.
Segundo o delegado Virgílio Guerreiro Neto, não há como verificar se a numeração do receituário foi emitida pela Vigilância Sanitária ou é falsa.

mockup