Ex-mulher diz que cabeça de Viscome foi posta a prêmio para salvar outras
São Paulo, 29 (AE) - Quando recebeu a notícia da cassação do mandato do ex-marido, Leolpoldina Pereira Viscome, de 49 anos, teve, como reação imediata, a sensação de que a cabeça de Vicente Viscome foi posta a prêmio para salvar outras tantas. E decidiu intervir para que o ex-vereador deixasse de lado o que chama de companheirismo com os outros colegas parlamentares, os quais considera tão ou mais culpados do que ele. "Foi um evento político, no qual ele virou João Batista, para livrar a cara dos outros; vou incentivá-lo a contar quem rouba de verdade".
O problema, diz Leolpoldina, é convencê-lo. "Não que ele tenha medo; ele não é delator, é diferente", explica. "Agora, deixar esses políticos que estão ganhando dinheiro na Câmara há 30 anos sem pagar nada e sacrificar o meu ex-marido não é justo", diz. E questiona: "E Pinheiros por exemplo, por que abafaram?" Segundo ela, tem gente muito alta e grande atrás da cassação do marido. "A corda sempre arrebenta do lado mais fraco, você não concorda?" Mas faltam-lhe provas para denunciar as pessoas das quais suspeita.
Para a ex-mulher, o único a sair perdendo com as denúncias de corrupção em órgãos municipais foi Viscome. "O restante vai entrar de férias agora, no tal do recesso, e vão esquecer de tudo", acredita. "Mas também vou batalhar e rezar para que, nas próximas eleições, metade deles vá para o lixo, para que não sejam reeleitos", conta. "Só assim aquela Câmara vai ficar boa". E não foi só agora que Viscome, vendedor de carros antes de começar a carreira política, perdeu com a política, segundo a ex-mulher. "Muita gente acha que ele ganhou
mas perdeu", diz. "Desde que entrou para essa história, há sete anos, ficou sem família e sem dinheiro; agora, perdeu a dignidade". Traição e sarampo - Leolpoldina afirma que sempre foi contra sua carreira política. "Sabia que era uma sujeirada". Segundo ela, a separação do casal ocorreu por causa da política. "Estive com ele 27 anos, mas não deu para suportar". Uma das causas de sua indignação e revolta é o fato de nenhum vereador procurá-lo durante o período em que esteve preso, antes da cassação. "Ele era amigo de todos, mas nenhum deles ligou para ele". Amigos, diz ela, só os da época dos automóveis. "É como se não fosse nada com eles; um monte de gente não querendo pegar sarampo", diz, sobre os vereadores.
Amanhã, dia de visitas no 29.º Distrito Policial, em Sapopemba, zona leste, devem comparecer na delegacia o irmão e os três filhos do ex-vereador. Leolpoldina não sabe se irá visitá-lo. "Agora está difícil; estou tentando segurar nosso dinheiro, cuidando dos negócios". (G.C.)





