Rio, 16 (AE) - Ex-motorista de ambulância do Hospital Salgado Filho, Almir Medeiros, de 54 anos, é atualmente dono de uma grande empresa funerária da zona norte do Rio, a Novo Rio, em Guadalupe. Medeiros admitiu que conhecia o auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães, suspeito da morte de 131 pacientes da Unidade de Pacientes Traumáticos (UPT), mas negou que pagasse propina para funcionários do hospital indicarem sua empresa às famílias dos mortos.
O nome de Medeiros surgiu pela primeira vez na sexta-feira, durante conversa de Guimarães com deputados da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Segundo o deputado Carlos Santana (PT-RJ), coordenador da subcomissão criada para acompanhar o caso, Guimarães citou Medeiros como uma das pessoas envolvidas na "máfia das funerárias".
Ao saber da conversa com os deputados, a delegada encarregada do caso, Marta Cavallieri, decidiu reinquirir Guimarães amanhã (17) para que as novas informações constem do inquérito policial e sejam investigadas.
"Não precisamos disso", disse hoje Medeiros, negando envolvimento com a máfia. "Somos uma empresa muito grande: temos convênio com 52 igrejas evangélicas para serviços de sepultamento." Medeiros disse ainda que se a sua empresa sepultou alguém por indicação de funcionários do Salgado Filho, ele não teve conhecimento.
Ele contou que trabalhou no Salgado Filho como motorista de ambulância durante 22 anos. Deixou o hospital em 1993, quando foi transferido para a Fazenda Modelo, centro municipal de atendimento à população de rua, onde se aposentou há dois anos.
Segundo Medeiros, desde que saiu do Salgado Filho ele é sócio cotista da Funerária Novo Rio. O ex-motorista de ambulância disse que nunca notou a existência de um esquema de propinas para funcionários do hospital durante os 22 anos em que trabalhou lá.
"Eu não tinha grande contato com o Edson, mas o conhecia", disse Medeiros, referindo-se ao auxiliar de enfermagem. "Mas ele me parecia uma pessoa normal, não tinha nada de louco."
Medeiros reclamou de estar tendo prejuízo em seu negócio desde que a história de Guimarães passou a ser divulgada. "Perdi diversos convênios."

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