Ex-moradores do Palace apuram denúncia de que Naya está vendendo bens
Rio, 16 (AE) - Um grupo de ex-moradores do edifício Palace 2, que desabou parcialmente em fevereiro do ano passado, na Barra da Tijuca, vai a Brasília na próxima semana para apurar a denúncia de que o ex-deputado Sergio Naya, dono da Sersan, construtora do prédio, estaria vendendo parte de seu patrimônio, que está bloqueado pela Justiça para o pagamento de indenizações. Eles também pretendem agendar um encontro com o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, para discutir a informação de que o gabinete do senador Roberto Requião (PMDB-PR) estaria dando "apoio logístico" ao ex-deputado, segundo nota publicada em jornais do Rio e da capital.
De acordo com a presidente da Associação das Vítimas do Palace, Rauliete Guedes, a denúncia de que Naya estaria vendendo máquinas da suposta empresa Servisan, que faria o comércio de mármore, partiu de moradores do Guará, no Distrito Federal. "Vamos até lá para verificar isso de perto", disse Rauliete. "Também precisamos saber de onde partiu essa informação do apoio logístico dado pelo gabinete do senador." Requião não foi localizado pela AGÒNCIA ESTADO, mas a chefe de gabinete do senador, Lygia Camargo, comentou o assunto e disse que é amiga de Naya "desde a década de 60". Ela, no entanto, negou que tenha dado qualquer tipo de apoio ao ex-deputado, que é padrinho de seu filho. "Estão querendo agora fiscalizar a amizade das pessoas, quem sou eu para ajudar o Sérgio Naya?", questionou. "Querem me crucificar porque sou amiga dele e tomar o meu emprego", afirmou Lygia, funcionária de carreira do Senado desde 1963.
Abandonado - De acordo com o advogado de Naya, Jorge Luiz de Azevedo, o ex-deputado não recebe apoio de nenhum parlamentar e está "totalmente abandonado politicamente". "Ele (Naya) está precisando de dinheiro e nem pôde me pagar este mês", afirmou o advogado. Azevedo não confirmou a existência da empresa de mármore Servisan, mas disse que Naya poderia vender suas máquinas. "Os bens bloqueados pela Justiça são das empresas Sersan e Matersan e os pessoais dele", alegou.





