Ex-moradores do Palace 2 querem cassação de registro dos peritos que fizeram laudo
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Felipe Werneck, especial para a AE 
Rio, 24 (AE) - Ex-moradores do Palace 2, prédio que desabou em fevereiro de 98 , na Barra da Tijuca, querem a cassação do registro dos peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) que prepararam o laudo oficial sobre as causas do desabamento, no qual morreram oito pessoas. Eles vão encaminhar o pedido ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea/RJ).
A decisão foi tomada pelos ex-moradores após reunião, ontem, com a diretoria do Crea para discutir o laudo. Um dos argumentos será um relatório de dois professores da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) chamados pelo ICCE para fazer a análise técnica que balizou o laudo. O documento conclui que, além do erro de projeto estrutural - hipótese defendida pelos peritos -, dois erros de execução foram responsáveis pelo desabamento.
A conclusão pode derrubar o principal argumento da defesa do ex-deputado Sérgio Naya - dono da Sersan, construtora do Palace 2 -, que pretende atribuir a culpa pela tragédia ao engenheiro José Roberto Chendes, responsável pelo cálculo estrutural do prédio.
O perito Hugo Campos, responsável pelo laudo, não foi encontrado na sede do ICCE e o diretor do instituto, Sérgio da Costa, não quis falar antes de receber um comunicado oficial sobre o assunto. No laudo, o ICCE afirma que os erros de execução não foram determinantes para a tragédia.
"Um processo ético sempre pode ser solicitado e nossa obrigação é processá-lo; se for constatada irregularidade ou falta de ética poderá haver uma punição, mas precisamos tomar cuidado com uma caça às bruxas", disse o presidente do Crea, José Chacon.


