Rio, 02 (AE) - Ex-morador do edifício Palace 2, que desabou parcialmente em 22 de fevereiro do ano passado na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, o publicitário e radialista Sílvio Barbosa, de 41 anos, decidiu utilizar um meio inusitado para cobrar seus direitos. Começou a espalhar pela cidade, desde ontem, 20 outdoors com os seguintes dizeres: "Palace 2 - Um ano depois do desabamento continuo sem residência. Até quando vou suportar o cinismo e a injustiça?" A mensagem refere-se ao ex-deputado Sérgio Naya, dono da construtora Sersan, responsável pela construção do prédio.
Barbosa, que há três anos comprou o apartamento 208 do Palace, vive hoje com outras 54 famílias de ex-moradores no Hotel Atlântico Sul, no Recreio dos Bandeirantes, também na zona oeste. Oito pessoas morreram na tragédia. O publicitário colocou seu e-mail ([email protected]) nos outdoors. "Estou na mesma situação que estava no dia em que o prédio caiu, preciso me comunicar, estou muito sozinho", lamentou. "Nasci em Realengo, zona oeste, e lutei dez anos para me mudar do Grajaú, zona norte, para a Barra; não quero nada além do que é meu, preciso voltar para casa, não aguento mais", diz.
Barbosa afirma que não pagou nada pelo anúncio. "Foi uma troca de favores com amigos publicitários". Segundo afirmou, ele já procurou a Sersan, mas prefere aguardar uma decisão da Justiça. "Me ofereceram um valor irrisório", reclama. Justiça - Na 4ª Vara de Falências e Concordatas, Naya foi condenado, em primeira instância, a indenizar as vítimas do desabamento por danos morais e materiais. O ex-deputado, que recorreu da decisão, afirma que não paga porque seus bens estão bloqueados pela Justiça.
Barbosa vive sozinho no quarto do hotel. Seu filho, de 20 anos, que morava com ele no Palace 2, hoje mora com a mãe. Ministro - Um grupo de ex-moradores deverá encontrar-se amanhã (04) à tarde, no Rio, com o ministro da Justiça, Renan Calheiros. Eles irão pedir a aceleração do processo - ainda em fase de inquérito - em que Naya está indiciado por crime de desabamento, agravado pelas oito mortes. "Não queremos completar um ano sem que tenhamos uma decisão definitiva", declarou a presidente da Associação das Vítimas do Palace, Rauliete Barbosa Guedes.
No fim do ano passado, o juiz Eraldo Saturnino de Oliveira, da 33ª Vara Criminal, decidiu que a competência para julgar o processo é do Supremo Tribunal Federal, porque Naya era deputado na época do ocorrido. Segundo o advogado da Naya, Nilo Batista, houve um retardamento de seis meses do caso porque o inquérito havia sido remetido pelo Ministério Público para Brasília antes da decisão de Oliveira.

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