Ex-ministros franceses negam acusações em escândalo de sangue contaminado
Paris, 09 (AE-REUTERS) - O ex-primeiro-ministro francês Laurent Fabius compareceu nesta terça-feira (09) à Corte de Justiça da República, no primeiro dia de julgamento do caso que apura o escândalo do sangue contaminado com o vírus da aids.
O ex-primeiro-ministro Fabius, o ex-ministro da Saúde Edmond Hervé e a ex-ministra de Assuntos Socias Georgina Dufoix são acusados de ter responsabilidade na morte de cinco pessoas contaminadas com o HIV e pela infecção de outras duas em 1985.
As vítimas estão entre cerca de quatro mil pessoas que contraíram aids na França por meio de tranfusões de sangue no início da década de 80. Um relatório divulgado em 1991 revelou que pelo menos 300 casos eram "evitáveis".
Essa é a primeira vez que ex-ministros vão a julgamento por seus atos oficiais. Todos são acusados de homicídio culposo e por "atacar a integridade física dos outros" por "imprudência", "falta de atenção" e "negligência". Podem pegar até cinco anos de prisão e sofrer uma multa de até US$ 90 mil.
Os três, Fabius em especial, são acusados de empregar uma "estratégia de Favoritismo" que atrasou os testes antiaids com um método norte-americano, até que o francês ficasse pronto.
O julgamento deve durar de três a quatro semanas e é a primeira vez na França na qual surge a possibilidade de que membros do governo sejam considerados responsáveis por ações de seus funcionários que permitiram, durante 1984 e 1985, a distribuição de sangue e derivados contaminados com HIV.
Fabius, Dufoix e Hervé declararam-se inocentes. A França já ofereceu indenização a milhares de vítimas. Quatro altos funcionários da saúde foram declarados culpados em 1992. As sentenças foram penas de prisão de até quatro anos.





