Curitiba - O ex-ministro da Educação Paulo Renato Pereira de Souza, autor de programas de avaliação de qualidade de cursos em instituições de educação durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), acredita que o analfabetismo está com os dias contados no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o País tem 20 milhões de analfabetos. Mais de dois terços dos jovens que entram no ensino fundamental não conseguem terminar o ensino médio.
No entanto, o problema mais grave de acordo com o ex-ministro está concentrado na terceira idade. ''O analfabetismo no Brasil hoje está concentrado nas faixas etárias superiores. Os analfabetos têm idade superior a 50 anos'', analisou. A taxa de analfabetismo entre pessoas com mais de 10 anos é de 11%. ''Para mim, o analfabetismo está com os dias contados. O essencial, que é trazer as crianças para o ensino fundamental, está sendo realizado. O governo Fernando Henrique fez seu papel. O governo Lula vai dar continuidade. É o que tudo indica'', considerou.
Para diminuir os atuais índices de analfabetismo entre adultos, os governos na análise de Paulo Renato precisam apostar em políticas públicas. Dados ministeriais davam conta de que a escolarização dos alunos está diretamente relacionada com o estudo que os pais tiveram. ''Tem que ser dada atenção especial para estas crianças, com políticas públicas nos municípios e estados'', avaliou. Paulo Renato está em Curitiba, onde desenvolve um trabalho de consultoria para o Grupo Positivo (que envolve cursinhos, universidade e ensino fundamental e médio).
Paulo Renato criticou o parecer do Conselho Nacional de Educação dado ao Ministério da Educação (MEC) que aprova a extinção da exigência de um diploma superior para professores de pré-escola a quarta série. ''O natural é que haja uma regra de transição. No entanto, os novos contratos teriam que ter diploma superior. Temos que buscar qualidade de ensino e qualidade se alcança com conhecimento. Para mim, este é um absurdo pedagógico e só pode ser explicado pela pressão dos sindicatos ligados a professores do ensino básico'', argumentou. Em todo o Brasil, são 700 mil professores da rede pública.

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